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Crise chega com força à Alemanha e grandes firmas começam a agir

Frankfurt (Alemanha), 12 dez (EFE).- A crise que a indústria automobilística alemã enfrenta, a maior desde a do petróleo em 1973, começa a se propagar rumo a outros setores da economia, obrigando gigantes como a Infineon e a Thyssenkrupp a adotar medidas extraordinárias.

EFE |

"Ninguém está a salvo", reiterou hoje o instituto de pesquisa econômica Ifo, que prevê um retrocesso na economia alemã de 2,2% em 2009, a maior queda dos últimos 60 anos.

No setor das telecomunicações, o notório otimismo de anos anteriores começa a se desmanchar, embora as empresas do setor prevejam fechar o quarto trimestre no positivo.

O que não é o caso da fabricante de semicondutores Infineon, que arrasta um déficit milionário, em parte devido à situação ruim de sua filial Qimonda, na qual tem 75%.

A Infineon revelou esta semana que aumentou a perda líquida no ano fiscal 2008 para 3,122 bilhões de euros, 748,4% mais que no ano anterior devido à queda dos preços de seus produtos. Os prejuízos da Qimonda rondam 519 milhões de euros.

Segundo declarou hoje o porta-voz da Infineon, Peter Bauer, a empresa prevê, além disso, uma queda do volume de negócios em 2009 de 15%, pelo menos.

Bauer lembrou que uma boa parte de sua cartela de clientes são fabricantes de automóveis, um dos setores mais castigados até o momento pela crise financeira internacional.

No caso da Thyssenkrupp, a situação não é muito melhor, pois a crise das montadoras - um terço de sua clientela - obrigou a empresa a reduzir sua produção de aço para 30%.

O chefe da Thyssenkrupp, Ekkehard Schluz, antecipou hoje ao jornal econômico "Handelsblatt" que, apesar de confiar em uma reativação da demanda, a empresa revisará para baixo seus objetivos em 2009.

A direção da Thyssenkrupp já abriu um diálogo com os sindicatos visando a uma redução da semana de trabalho.

Um porta-voz sindical disse hoje que o consórcio quer introduzir essas medidas em fevereiro, o mais tardar em março, embora não tenha especificado quantos de seus 41 mil funcionários seriam afetados.

Em termos gerais, a associação do metal calcula que a crise do automóvel se traduziu em uma redução dos pedidos no setor metalúrgico de 16%.

Pelas mesmas razões, o porta-voz desse grupo, Peter Klotzki, disse que o número de pedidos na indústria eletrônica caiu nos últimos meses 10%.

A empresa assessora Research & Consulting, não prevê uma melhora do ramo do metal e do aço a curto prazo, pois de acordo com esses consultores a situação econômica mundial faz prever que a produção mundial cairá, no próximo ano, 2%.

Nas empresas mais dependentes do automóvel, setor que emprega uma de cada sete trabalhadores na Alemanha, a situação se torna dramática.

A fabricante de autopeças Continental, que como a Thyssenkrupp e a Infineon fazem parte das 30 grandes empresas alemãs do índice DAX-30 da Bolsa de Frankfurt, a detenção brusca de pedidos pôs em xeque suas finanças.

Segundo publica hoje o jornal "Financial Times", a empresa, que estava abalada desde a aquisição, por 11,4 bilhões de euros da Siemens VDO, iniciou negociações com os bancos para a concessão de um crédito de 11 bilhões de euros.

A situação econômica de seu principal acionista torna o problema ainda mais complicado para a Continental. Um relatório do banco de investimentos Perella Weinberg sustenta que o grupo familiar Schaeffler necessita, com urgência, de até 7 bilhões de euros.

O banco diz que a crise do setor do automóvel e a aquisição da Continental fizeram com que o endividamento líquido da Schaeffler tenha aumentado a 11 bilhões de euro, seis vezes mais que seu resultado antes de impostos.

"Todos éramos conscientes dos riscos que se escondiam na aquisição da Continental. A questão agora é como resolvemos entre todos essa situação", declarou o vice-presidente do conselho de vigilância da Schaeffler, Werner Bischoff. EFE cv/rr

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