Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Crise atrasa liberação de financiamento do BID para CNAA

São Paulo, 20 - A restrição de crédito internacional, gerada pela crise financeira, está postergando a liberação de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para projeto da brasileira Companhia Nacional de Açúcar e Álcool (CNAA). A informação foi dada hoje pelo consultor da área de energia sustentável do banco, Gregor Meerganz vol Medeazza, durante encontro que discutiu Desafios na Implementação de Critérios de Sustentabilidade de Biocombustíveis.

Agência Estado |

Segundo o executivo, o projeto total prevê um desembolso de cerca de US$ 500 milhões, dos quais cerca de US$ 265 milhões do BID e o restante dos bancos parceiros. "O financiamento foi aprovado em meados do ano, mas ainda não foi liberado por conta de dificuldades dos bancos privados que participam da operação, justamente por conta desse momento de crise que estamos vivendo", explica.

Apesar de não dar detalhes sobre o projeto brasileiro, Medeazza explica que a proposta foi apresentada ao banco de fomento há mais de um ano e que o montante financiado terá prazo de pagamento de 15 anos. "Trata-se um projeto greenfield, que prevê a produção de açúcar, álcool e co-geração de energia com bagaço de cana", afirma.

A CNAA foi constituída em 2006, a partir de uma joint venture entre o grupo Santelisa Vale e os fundos de investimentos Global Foods, Carlyle/Riverstone, Goldman Sachs e Discovery Capital. A empresa recebeu aportes da ordem de R$ 2,2 bilhões para implantação e operação de quatro unidades industriais.

Duas delas, uma em Itumbiara (GO) e outra em Ituiutaba (MG) começam a operar ainda neste semestre. Já em 2009, entra em atividade a unidade de Campina Verde (MG) e, em 2010, a de Platina (Ituiutaba/MG). Com layouts idênticos, cada uma terá capacidade inicial para beneficiar 2,7 milhões de toneladas de cana por ano, número que pode ser ampliado para 5,4 milhões, totalizando 21,6 milhões de toneladas a médio prazo.

Sustentabilidade

A maior demanda da sociedade por biocombustíveis acelerou as discussões nos últimos meses sobre a necessidade da criação de princípios e parâmetros para o desenvolvimento sustentável dessa indústria. A primeira versão dos critérios globais para o setor foi apresentada hoje em São Paulo pela Mesa Redonda sobre Biocombustíveis Sustentáveis (MRBS), organização formada por várias entidades internacionais, entre elas as brasileiras Petrobras e União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica).

De acordo com a secretária da MRBS, Charlotte Opal, o documento - batizado de versão zero - é composto por 12 diretrizes básicas, que incluem desde o cumprimento de leis nacionais no que diz respeito à terra, mão-de-obra e direito à água, até recomendações em relação à consulta da comunidade, cuidados no que diz respeito aos impactos social e ambiental, assim como a responsabilidade em relação às novas tecnologias.

Reunido hoje em São Paulo com especialistas de vários países, para discutir os "Desafios na Implementação de Critérios de Sustentabilidade de Biocombustíveis", o gerente do Departamento de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Márcio Macedo Costa, ressaltou que o banco tem adotado uma série de considerações em relação ao tema na hora de aprovar financiamento para projetos no Brasil. O executivo adiantou ainda que o órgão trabalha na revisão e atualização dos guias de procedimentos ambientais para ajustar-se ao novo cenário.

Segundo Costa, entre 60 e 70 novos guias destinados a vários setores da economia deverão estar prontos no prazo de até dois anos, sendo o primeiro deles específico para o segmento de açúcar e álcool. "Vimos um aumento significativo de projetos que prevêem investimentos de eficiência ambiental nos últimos anos", afirma. O executivo explica que são planos que vão desde reflorestamento, eficiência energética, fundo de carbono e geração de energia.

Sistema de Pontuação

O consultor da área de energia sustentável do BID, Gregor Meerganz vol Medeazza, informou também que pedidos para projetos na área de biocombustível junto ao organismo aumentaram sensivelmente nos últimos anos. "O aumento da demanda nos levou a criar um sistema de pontuação para identificar os melhores projetos", informou.

O sistema, explica Medeazza, leva em consideração parâmetros muito parecidos com os apresentados na reunião de hoje pela MRBS. Segundo o executivo, o banco recebe em torno de dois projetos por semana, mas apenas 20% podem ser encaixados nos critérios do organismo. Apesar de receber pedidos de empresas, o consultor do BID afirma que a maioria dos projetos são apresentados por governos de vários países e dizem respeito a cooperação técnicas.

No Brasil, o BNDES desembolsou R$ 3,6 bilhões para segmento de açúcar e álcool em 2007 e mais R$ 5,2 bilhões no acumulado de 2008 até outubro. "São projetos de plantio de cana, refino e fabricação de açúcar, produção de etanol e co-geração", explica o gerente do Departamento de Biocombustíveis do banco, Paulo Faveret. Segundo o executivo, mais da metade dos recursos são destinados para produção de etanol.

Leia tudo sobre: home

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG