BRASÍLIA - A imprevisibilidade da crise mundial assusta o empresário brasileiro, que decidiu rever seus planos para 2009, agora menos focados em aumento de produção e mais voltados para a melhoria de qualidade de produtos e bens. A maioria dos empresários, com representação de 73%, aposta na demanda interna, mas com clara redução nos investimentos, segundo apontou a Sondagem Industrial Especial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada hoje.

Enquanto em 2008 foi batido o recorde com 89% das indústrias terem planejado investir, a crise no fim do ano baixou as expectativas gerais. Para este ano, 45% das empresas pretendem cortar suas compras de máquinas e equipamentos, restando apenas o setor de refino de petróleo com intenções de ampliar "em muito" seus investimentos, em função dos planos da Petrobras e a camada pré-sal.

Para 75% das 1.407 empresas pesquisadas, as incertezas sobre os efeitos da crise prejudicam o cenário para os investimentos. Além do mais, 24% estão com capacidade instalada mais que suficiente e estoques considerados adequados para a demanda em 2009, que, na visão de 43%, vai cair em relação a 2008.

A indústria automobilística vê o cenário mais tempestuoso que os demais 25 setores ouvidos na pesquisa. O mercado externo é prioridade apenas para 3% da indústria, em especial áreas de refino e petróleo, papel e celulose e couros.

A sondagem da CNI aponta ainda que em 2008, 42% das empresas investiram o que planejaram, enquanto 7,6% adiaram para este ano e 6,7% cancelaram os planos. Setores como refino e petróleo, metal, bebidas, limpeza e perfumaria e alimentos investiram mais da metade do que programaram, mas madeira e material eletrônico, por exemplo, ficaram entre os que cancelaram ou adiaram.

(Valor Online)

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