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Líderes da União Europeia encontraram-se no domingo em Bruxelas, para uma reunião que pareceu sublinhar as preocupações que o evento pretendia abordar: as forças desencadeadas pela crise que ameaçam dividir a Europa em grupos rivais. Um pedido urgente de resgate para os países do Leste Europeu - membros mais recentes da UE - feito pela Hungria foi rejeitado pela economia mais forte da Europa, a alemã, e não recebeu muito apoio dos demais países.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que enfrenta eleições europeias no meio do ano, disse que o caso de cada país deve ser avaliado individualmente.

"Não acho que a situação de todos os países da Europa Central e Oriental seja a mesma", disse aos repórteres. Ela fez sua declaração depois que o primeiro-ministro da Hungria, Ferenc Gyurcsany, alertou: "Não podemos permitir que seja erguida uma nova Cortina de Ferro dividindo a Europa".

Com uma liderança incerta e poucas instituições comuns poderosas, a União Europeia está sofrendo com as inevitáveis consequências produzidas pela crise entre 27 países com níveis desiguais de desenvolvimento. O conceito tradicional de "solidariedade" é prejudicado pelas pressões protecionistas e pelas dificuldades de se manter a moeda comum, o euro, numa região com necessidades econômicas diversas. Os problemas econômicos agudos de alguns dos novos membros da UE que já fizeram parte do bloco soviético apenas pioraram a situação.

As dificuldades da Europa contrastam muito com a resposta americana. O presidente Barack Obama acaba de anunciar um orçamento que aprofundará a dívida americana, mas que é uma tentativa de redistribuir a renda, reformar o sistema de atendimento médico, melhorar a educação e combater os problemas ambientais.

Entretanto, continua em aberto a questão cada vez mais urgente da capacidade da Europa de transcender os eleitorados nacionais para formar um consenso.

"A UE terá de provar que é mais do que uma união oportuna formada nos momentos de prosperidade e que os seus membros têm um destino político em comum", disse Stefan Kornelius, editor do jornal alemão Sueddeutsche Zeitung.

"Sempre dissemos que não pode haver união monetária sem união política, o que não temos. Não há política fiscal nem tributária comum, e nem política comum de subsídios às indústrias. E nenhum dos nossos líderes é forte o bastante para tirar os demais do atoleiro."

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