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Crise agrava e Congresso dos EUA é pressionado a aprovar resgate financeiro

César Muñoz Acebes. Washington, 23 set (EFE).- O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, e o presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), Ben Bernanke, pediram hoje ao Congresso que aprove rapidamente o pacote de resgate financeiro para evitar um agravamento da crise ou uma eventual recessão.

EFE |

Paulson e Bernanke fizeram o pedido perante o Comissão de Bancos do Senado em uma das audiências econômicas mais importantes nas últimas décadas nos EUA, segundo seus participantes.

Os dois solicitaram ao Congresso que antes que se finalize a semana autorizem o uso de US$ 700 bilhões para adquirir a dívida de baixa qualidade que abala as contas dos bancos.

"Não é algo que eu queria pedir, mas é muito melhor que a alternativa", disse Paulson aos senadores que, em sua maioria, mostraram dúvidas e até certo ceticismo.

Bernanke descreveu essa alternativa em termos muito obscuros. "Os mercados financeiros estão em uma posição bastante frágil e sem um plano de ajuda, piorarão", ressaltou.

O presidente do Fed explicou que na situação atual, que definiu como "muito imprevisível e muito preocupante", os bancos não estão dispostos a estender créditos.

"Se os mercados de crédito não funcionam, se perderão postos de trabalho, as taxas de juros subirão, haverá mais execuções de hipotecas, o PIB (Produto Interno Bruto) se contrairá", afirmou.

O plano do Governo "é uma condição prévia para uma recuperação boa e saudável", sustentou Bernanke.

Apesar dessa descrição tão lúgubre, os senadores de ambos os partidos se mostraram incomodados com a idéia de respaldar um plano desenhado o mais rápido possível e que daria a Paulson poderes extraordinários para intervir nos mercados.

"Esta proposta é impressionante e não tem precedentes por seu alcance e por sua falta de detalhes", afirmou o democrata Christopher Dodd, presidente do comissão.

Richard Shelby, republicano de maior categoria na comissão, se queixou que o plano "pretenda salvar as mesmas instituições financeiras que criaram esta crise" e disse que o Governo não deu garantias de que resolverá o problema.

O republicano Jim Bunning foi mais direto. "Este resgate em grande escala não é a solução. É socialismo financeiro e não é digno dos EUA", disse.

Apesar das críticas, parece provável que o Congresso aprove o pacote de emergência perante a gravidade dos problemas financeiros do país.

O número dois da Câmara dos Representantes, Stony Hoyer, afirmou hoje que o Legislativo pretende ratificar o projeto de lei antes da sexta-feira, quando está previsto que o Congresso suspenda suas sessões até depois das eleições de novembro.

Hoyer afirmou que se o voto no final não acontecer nesse dia, o Congresso se manterá aberto até que seja tomada uma decisão sobre o pacote.

O vice-presidente americano, Dick Cheney, visitou alguns legisladores republicanos e pediu que retirem suas objeções, enquanto os líderes democratas negociam com o Governo os detalhes do projeto de lei.

Na audiência de hoje, Paulson aceitou que haja algum tipo de supervisão do uso do dinheiro, algo que os democratas tinham exigido e que não estava incluído no plano original.

Cheney também disse que os bancos estrangeiros com operações neste país poderão se beneficiar do programa, já que oferecem serviços aos americanos.

Uma das chaves do processo será como avaliar as dívidas de má qualidade que o Governo comprará junto às entidades bancárias.

Paulson disse que o Departamento do Tesouro usará diversos métodos para marcar o preço desses títulos, mas evitou dar muitos detalhes.

Uma das propostas sobre a mesa é fazer audiências nas quais o Executivo adquiriria os títulos ao menor preço que ofereçam as instituições financeiras que desejem se desfazer deles.

Paulson explicou que, se o Congresso ratificar o plano, o Governo iniciará "rapidamente" as operações com uma compra de títulos vinculados a hipotecas por uma quantidade de dinheiro "pequena".

"Haverá certa experimentação", disse Paulson, que destacou que a intervenção em grande escala que se pretende realizar "não foi feita nunca".

Os senadores expressaram seu temor de arriscar o dinheiro dos eleitores em uma operação que consideram incerta. EFE cma/rr

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