BRASÍLIA - O nervosismo com a piora da crise externa na última semana afetou o financiamento diário do governo em mercado, admitiu hoje o coordenador-geral da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido. Segundo ele, em tempos como agora, o Tesouro reduz prazos e volumes na oferta de títulos públicos.

Garrido, porém, não quis dar mais detalhes sobre como o Tesouro está agindo, e os efeitos das turbulências sobre a dívida pública interna, principalmente se houve aumento de custos para o contribuinte.

E disse que em setembro, "a princípio", a emissão de títulos deve ficar próxima ao volume de agosto, que ficou em R$ 20,8 bilhões, embora os vencimentos deste mês estejam no mesmo patamar: R$ 20,75 bilhões.

"Em momentos de maior volatilidade, que modificam as condições de demanda, a gente tem uma resposta", disse Garrido. E completou: "Ou reduzimos os prazos ou os lotes de títulos ofertados." Neste mês, segundo ele, "em alguma medida", foi feita uma combinação das duas coisas.

Ele afirmou que o Tesouro "não alterou a estratégia de adequar a oferta de títulos à demanda, para não adicionar maior volatilidade".

Sobre o aprofundamento da crise de liquidez externa com a quebra de grandes bancos americanos semana passada, o técnico do Tesouro esquivou-se de demonstrar preocupação.

"A gente vem observando esse período de crise há algum tempo", disse ele. "Mantemos a política de uma administração mais cautelosa (do endividamento federal) e não dá para ter uma previsão do que vai ocorrer em setembro, porque ainda teremos um leilão (na semana que vem)", continuou.

Garrido negou que o aumento da parcela prefixada da dívida em agosto decorreu de maior demanda dos investidores, em função da alta dos juros. Ele atribuiu essa alta ao resgate de cerca de R$ 8,6 bilhões em vencimentos desses papéis no mês. Os papéis prefixados subiram para 31,45% do total, ante 30,88% do estoque da dívida registrados em julho.

Sobre as emissões totais de R$ 20,8 bilhões de agosto, o técnico do Tesouro justificou que contribuiu "uma série de determinantes", inclusive as incertezas do mercado internacional. Mas o volume ficou na média do ano. Garrido admitiu ainda que a trajetória de juros elevados pelo Banco Central contribuirá para aumentar o estoque da dívida no ano. Mas ele acredita que o saldo deverá ficar nos novos limites do Plano Anual de Financiamento (PAF), reduzidos no mês passado.

A dívida pública mobiliária (em títulos) federal interna subiu 1,56% em agosto, para R$ 1,223 trilhão, informou o Tesouro Nacional.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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