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Crise afeta vendas de fim de ano do comércio varejista, mostra IBGE

RIO - A crise financeira atingiu em cheio as vendas do comércio varejista no fim do ano passado. O volume de vendas do comércio varejista subiu 3,9% em dezembro na comparação com igual mês do ano anterior, o pior resultado para o último mês do ano desde 2003, quando houve alta de 3,2% neste tipo de comparação.

Valor Online |

No último trimestre do ano passado, o volume de vendas cresceu 6% perante os últimos três meses do calendário anterior, no índice mais baixo para o período outubro-dezembro desde os 4,6% do final de 2005.

O resultado de dezembro de 2008 contribuiu para que o volume de vendas do comércio varejista fechasse em alta de 9,1%, o terceiro melhor resultado desde 2001. Nesse período, o volume de vendas teve resultados melhores apenas em 2004, com alta de 9,3%, e em 2007, com crescimento de 9,7%. Apesar do bom resultado anual, o último trimestre registrou forte desaceleração, uma vez que em setembro o comércio varejista fechou com 10,3% no acumulado em 12 meses.

O impacto da crise foi maior nos setores mais dependentes do crédito. No quarto trimestre de 2008, o grupo Móveis e Eletrodomésticos teve crescimento de vendas de 7,7% ante igual período do ano anterior. Apesar de expressivo, o avanço do volume de vendas ficou bem abaixo dos 17,9% observados no terceiro trimestre, também em relação a igual período de 2007. A desaceleração no indicador trimestral foi reduzida pelo resultado de outubro, mês em que o volume de vendas de Móveis e Eletrodomésticos subiu 15,7% frente a outubro de 2007. Nos meses de novembro e dezembro, o crescimento neste tipo de comparação foi de apenas 4,5%.

" A crise restringiu o crédito, afetando setores mais dependentes de parcelamento " , frisou Reinaldo Pereira, economista da coordenação de Serviços e Comércio do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Pereira chama a atenção para o comércio varejista ampliado, que subiu 1,3% em dezembro em relação a igual mês do ano anterior. O resultado representa uma inversão ante novembro, quando houve queda de 4,2%, e ficou aquém da média anual, de crescimento de 9,9%. A maior influência para a desaceleração do índice veio de Veículos e Motos, Partes e Peças, que recuaram 4,5% no último mês de 2008, depois de despencarem 20,3% em novembro. Material de Construção teve trajetória semelhante - caiu 3,6% em dezembro seguindo baixa de 6,2% em novembro.

Como o resultado do fim de 2008, o comércio varejista ampliado terminou o quarto trimestre com alta de apenas 0,3% em relação ao período outubro-dezembro do exercício anterior. Nos três últimos meses do ano, Veículos e Motos, Partes e Peças declinaram 10,8%, enquanto Material de Construção teve baixa de 1,9%.

" A indústria automobilística vinha muito forte e teria, em algum momento, que desacelerar. Mas, com a crise, o tombo foi muito mais profundo " , ressaltou Pereira.

O economista atenta para o efeito da crise sobre o setor de Tecidos, Vestuário e Calçados, que registrou queda de 5,4% no último trimestre do ano e baixa de 6,3% em dezembro, sempre na comparação com igual período de 2007.

" A valorização do dólar limitou as importações, que vinham principalmente da China. Como resultado, houve uma alta de preços, que segurou a demanda " , explicou Pereira.

(Rafael Rosas | Valor Online)

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