O presidente da Datagro Consultoria, Plínio Nastari, reafirmou nesta terça-feira que a crise de liquidez do mercado mundial afeta os novos investimentos em usinas e destilarias brasileiras, mas destacou que as condições que apontam para altas nos preços do açúcar e do álcool são positivos e podem reverter esse quadro. Há uma perspectiva positiva dos fundamentos do mercado para o período entre os próximos 12 e 18 meses e a indústria deve se aproveitar disso, disse Nastari, que participou de um painel sobre etanol no evento Rio Oil & Gás, no Rio.

Acordo Ortográfico O presidente da Datagro citou que dos 35 novos projetos de usinas e destilarias previstos para entrar em operação na safra 2008/2009 no Brasil, 31 foram viabilizados e 20 já iniciaram a produção. "Dos 11 restantes, talvez quatro ou cinco devem iniciar a moagem ainda nesta safra", disse. "Sem dúvida, a crise afeta essa indústria, que tem capital intensivo, cujos investimentos foram acima da capacidade de geração de caixa, e está por trás da postergação de novos investimentos."

Nastari lembrou que a crise de liquidez atinge também as unidades já instaladas, que encontram dificuldades para alongar o endividamento corrente, basicamente concentrado no curto prazo.

O vice-presidente executivo da Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), Rogério Manso, disse, no mesmo seminário, que a crise só pode atingir os investimentos previstos da empresa se permanecer no longo prazo. "Os investimentos iniciais já foram feitos para a primeira fase da companhia, mas no cenário de longo prazo certamente (a crise) pode ter algum impacto", disse.

A Brenco, comandada pelo ex-presidente da Petrobrás Henri Philippe Reichstul, vai investir até 2012 R$ 5,5 bilhões na construção de dez unidades industriais em três pólos de produção para 3,86 bilhões de litros de álcool por safra e geração de energia de 600 MW. A companhia prevê US$ 1 bilhão de investimentos na construção de um alcoolduto de 1.120 quilômetros de Alto Taquari (MT) até Santos.

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