A mudança brusca de perspectiva de crescimento da economia mundial já ocasionou, desde setembro do ano passado, o adiamento ou cancelamento de pelo menos R$ 10 bilhões em investimentos da iniciativa privada em infraestrutura no Brasil. Esses projetos, principalmente de portos e ferrovias, estão fora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

São feitos pelas empresas, muitas vezes com recursos de investidores, para uso próprio, mas também podem ser aproveitados por terceiros.

Entre os projetos cancelados estão o Porto Brasil, da empresa da área de logística LLX, do Grupo EBX, em Peruíbe (SP), e o Porto de Anchieta, que fazia parte do complexo siderúrgico da Vale com a chinesa Baosteel na cidade capixaba de mesmo nome. Já entre as postergações, chama atenção a decisão da estatal Valec, que adiou a licitação para concessão de mais um trecho da Ferrovia Norte-Sul para a iniciativa privada. Sem isso, as obras não podem começar.

O movimento observado nos últimos meses promete se estender pelos próximos anos. De acordo com levantamento divulgado há duas semanas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), houve redução de 6,5% na expectativa do total a ser investido entre 2009 e 2012 no setor de infraestrutura, chegando a R$ 319 bilhões. De acordo com especialistas, o recuo só não foi maior porque o volume inclui várias obras previstas no PAC, que receberá recursos governamentais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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