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Crise acelerou e ações despencaram ontem em todo o mundo

SÃO PAULO - As bolsas americanas despencaram pela quarta sessão consecutiva ontem, deixando o índice mais importante do mercado acionário dos Estados Unidos, o Dow Jones, abaixo de 10 mil pontos pela primeira vez em quatro anos. Temores de que a economia global está caminhando para a recessão, apesar dos esforços para conter o avanço da crise financeira, justificaram a queda.

Valor Online |

O Dow Jones perdeu 3,58%, a 9.955 pontos. O Standard & Poor´s 500 desabou 3,85%, a 1.056 pontos. O Nasdaq mergulhou 4,34%, a 1.862 pontos.

As fortes quedas vieram na primeira sessão completa desde que o Congresso aprovou o socorro de US$ 700 bilhões no setor financeiro, com os empréstimos virtualmente paralisados e investidores mudando o foco para a degradação da perspectiva econômica e dos lucros corporativos.

Mas o mercado devolveu quase metade das perdas na última hora de negócios, com operadores especulando que as quedas podem levar a uma resposta global coordenada para descongelar os mercados de créditos. O índice do setor financeiro do S & P, que caiu mais de 8% durante o dia, fechou em queda de 4,2%.

O setor de energia recuou com os preços do petróleo caindo abaixo de US$ 88 por barril com expectativas de que uma recessão atingiria a demanda global por combustível.

A queda de Wall Street foi parte de uma deterioração global, que levou a interrupções temporárias na Rússia, Brasil e Peru. O resgate emergencial de dois grandes bancos europeus e as ações de diversos governos europeus para garantir depósitos bancários intensificaram os temores de que a crise de crédito não pode ser contida.

" Nós estamos claramente na zona de pânico agora. Nós passamos de tendência de baixa para pânico " , afirmou John Schloegel, vice-presidente de estratégias de investimentos para Capital Cities Asset Management. " Nós superamos o pacote agora e estamos focados nos fundamentos e os fundamentos não parecem bons. As pessoas estão começando a se agarrar nos resultados do terceiro e quarto trimestres. "
As ações européias tiveram queda percentual recorde em um único dia, afundando para o menor patamar de fechamento em quatro anos, à medida que os investidores liquidavam ações e Wall Street despencava.

O índice FTSEurofirst 300 desabou 7,75%, para 1.004 pontos, superando a queda de 6,3% de 11 de setembro de 2001, dia dos ataques terroristas aos EUA. O índice chegou a cair brevemente abaixo da marca de 1.000 pontos pela primeira vez desde o final de 2004, pouco depois de o Dow Jones ter ficado abaixo de 10 mil pontos.

" É uma queda livre. A perspectiva ainda é de tendência de baixa e nós não estamos próximos do fundo. Não há razão para comprar nada no momento. O spread entre os preços de compra e venda ainda é enorme " , disse Nicole Elliott, analista técnico da Mizuho Securities.

As ações de bancos e de commodities apresentaram as maiores perdas do índice, com os papéis do Royal Bank of Scotland despencando 20%, os do Barclays desabando 13,8% e os do UBS mergulhando 12,4%.

Os papéis do BP e da Total e Royal Dutch Shell recuaram entre 7,7% e 8,9%.

" As pessoas decidiram que os mercados não são capazes de se recuperar e os políticos não têm controle sobre esse processo " , disse John Haynes, estrategista da Rensburg Sheppard Investment Management. " Os compradores se retiraram, e os vendedores ainda estão lá. "
Em Londres, o índice Financial Times fechou em forte queda de 7,85%, a 4.589 pontos. O DAX, de Frankfurt, recuou 7,07%, para 5.387 pontos. Na bolsa de Paris, o CAC-40 baixou 9,04% (3.711 pontos). Em Milão, o Mibtel encerrou em baixa de 8,24% (17.976 pontos). O Ibex-35, de Madri, sofreu desvalorização de 6,06% (10.726 pontos). Em Lisboa, o PSI20 baixou 9,86% (6.954 pontos).

(Valor Econômico, com agências internacionais)

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