O agravamento da crise acelerou o envio de dólares do Brasil para o exterior. Dados divulgados ontem mostram que a remessa de recursos superou o ingresso em US$ 3,059 bilhões nos oito primeiros dias úteis de outubro, valor que equivale a 73% de toda a saída verificada em setembro.

O número se refere ao fluxo financeiro, que registra a movimentação de investidores e transferência de lucros, entre outros itens. Além disso, o volume de crédito para os exportadores caiu 51,3% na comparação com setembro.

O fluxo financeiro apresenta números negativos pelo sétimo mês seguido. Entre abril e o fim da segunda semana de outubro, a conta registra a fuga de US$ 24,580 bilhões do País. "Os números mostram que estrangeiros ainda têm posições expressivas no Brasil, seja em renda fixa, lucro acumulado nas multinacionais ou mesmo em ações", diz o professor de economia da Universidade de São Paulo (USP), Fábio Kanczuk.

Segundo ele, a saída ocorre em duas frentes: investidores têm vendido títulos públicos e ações para retornar o dinheiro ao país de origem e, no campo produtivo, multinacionais enviam lucros às sedes. Ele nota que as remessas não foram desestimuladas pelo salto de 20% do dólar no último mês, que reduz a vantagem do envio.

O saldo financeiro negativo foi compensado, em parte, pela balança comercial, que gerou ingresso de US$ 1,970 bilhão porque as exportações continuam superando o volume de importações. Dessa forma, o fluxo cambial geral teve resultado negativo de US$ 1,089 bilhão até a metade do mês.

O volume médio diário de financiamento ao exportador por Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC) somou US$ 116,2 milhões no período, com queda de 51,3% na comparação com setembro. A redução do crédito ocorre a despeito do início da ação mais forte do BC para irrigar dólares no mercado. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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