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Julio César Rivas. Detroit (EUA), 12 jan (EFE).- A crise do setor e a ausência de nomes como Nissan no Salão Internacional do Automóvel da América do Norte (Naias, em inglês), em Detroit, abriram espaço para marcas chinesas novatas, como BYD ou Brilliance.

Pela primeira vez na história, duas fabricantes chinesas estão exibindo seus produtos no pavilhão principal do Centro Cobo de Detroit, onde ocorre a Naias, graças tanto à decisão de outras empresas de não participar da mostra, como à crescente maturidade do setor na China.

Até agora, as empresas chinesas tinham estado relegadas ao pavilhão inferior do salão, mas, desta vez, BYD e Brilliance mudaram de categoria e instalaram seus produtos entre as exibições da General Motors (GM) e da Ford.

Pelos porões do Centro Cobo já desfilaram nomes como Geely (em 2005), Chang Feng Motors (2006) e Chery.

A cada ano, os representantes destas companhias expressaram sua intenção de que os veículos chineses fossem vendidos nos Estados Unidos a preços menores, o que, por enquanto, não aconteceu.

Henry Li, gerente geral da divisão de exportações da BYD, uma das principais fabricantes chinesas por vendas na China, tem consciência da história de promessas descumpridas de outras companhias, mas afirmou à Agência Efe que, no caso de sua empresa, a colocação é mais realista.

"Antes de fazer um anúncio, precisamos saber quais produtos vamos oferecer neste mercado. No ano passado, anunciamos aqui que faríamos um veículo elétrico para vendê-lo no começo de 2008 na China, e fizemos isso. Buscamos manter nossos compromissos", afirmou Li.

"Nossa previsão é entrar no mercado americano em 2011 e estamos confiantes em fazê-lo", acrescentou.

Durante uma entrevista coletiva no Salão de Detroit, o presidente da BYD, Wang Chuanfu, repetiu o compromisso e disse que os planos da empresa incluem a fabricação nos Estados Unidos, mas só "quando for apropriado".

"A estratégia final não está decidida ainda, mas o mais provável é que utilizaremos nossa própria marca neste mercado. Também existe a possibilidade de comprar alguma das fabricantes locais", explicou Li à Efe.

O objetivo da BYD é vender os modelos e6 e f6dm em 2011.

O primeiro é um utilitário totalmente elétrico, cujo alcance, antes de precisar recarregar as baterias, é de 400 quilômetros, e sua velocidade máxima é de 160 km/h.

Já o f6dm é um veículo híbrido - desenvolvido a partir do f3dm, outro híbrido vendido na China desde dezembro -, e dispõe de um motor de gasolina de um litro e outro elétrico que, combinados, desenvolvem uma potência de 168 cavalos.

Enquanto a BYD se concentrou no desenvolvimento de veículos elétricos, já que surgiu como fabricante de baterias, a Brilliance apresentou em Detroit automóveis tradicionais.

A Brilliance produz 280 mil veículos ao ano na China sob duas marcas (Brilliance e Jinbei), e tem acordos de cooperação com BMW, Porsche e Toyota.

O vice-presidente da Brilliance, He Guohua, disse hoje que os planos de entrada da marca nos Estados Unidos ainda não estão definidos, mas que a companhia quer entrar no mercado americano, apesar da crise.

No caso da BYD, segundo Li, não importa que as vendas nos Estados Unidos tenham desabado em 2008 a 13 milhões de veículos novos ou que em 2009 o patamar se situe ligeiramente acima dos 10 milhões.

"Seguimos estando a dois ou três anos de entrarmos no mercado americano, portanto a situação atual do mercado não é relevante", afirmou.

"Para entrar neste mercado ou no europeu, temos que cumprir os requisitos de segurança e também as exigências do consumidor a respeito de rendimento, conforto e design. Isto é crítico e, nos dois próximos anos, vamos nos concentrar nestes assuntos para estarmos prontos", destacou Li. EFE jcr/db