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RIO - Os últimos anos de crescimento econômico e os programas de transferência de renda garantiram uma mobilidade social ascendente que não se via na sociedade brasileira há quase três décadas, com 13,8 milhões de pessoas passando para faixas sociais mais altas. Os dados constam do estudo Pobreza e mudança social, divulgado hoje pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2007 (Pnad 2007).

O estudo dividiu o país em três estratos iguais em 2001, cada um representando 33,33% da população, em ordem crescente de renda. Os limites foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), com a incorporação do crescimento econômico à renda média dos brasileiros. Desta forma, os grupos de renda de acordo com a Pnad 2007 foram formados em três estratos: até R$ 545,66 de renda familiar mensal; entre R$ 545,66 e R$ 1.350,82 e acima de R$ 1.350,82.

Como resultado, o estrato mais baixo passou a contar com 27,4% dos brasileiros, enquanto o segundo estágio respondeu por 36,7% da população e a fatia mais alta ficou com 35,8%. No total, foram 10,2 milhões de pessoas que pularam do estrato mais baixo para o médio, e 3,6 milhões de pessoas que atingiram o estágio mais alto entre 2001 e 2007.

"Houve uma forte movimentação de pessoas do nível mais baixo de renda para níveis mais elevados. Aconteceu uma mobilidade social ascendente que não se via na sociedade brasileira desde os anos 80", afirmou Amorim.

A razão para a mobilidade não foi uniforme entre os diferentes estratos. Entre os que avançaram do primeiro para o segundo estrato, destaque para os chefes de família inativos, que representaram 28% dos que avançaram, enquanto os chefes de família com carteira assinada representaram 27%.

Para Amorim, esse comportamento mostra a importância dos programas de transferência de renda para as camadas mais pobres da população.

"Temos que tomar cuidado com os estratos mais baixos de renda, já que o mercado de trabalho chega neles de maneira mais fraca. Temos que cuidar com muito carinho do crescimento econômico, que tem sido fundamental para gerar oportunidades, renda e emprego", ressaltou o economista.

O mercado de trabalho tem importância mais destacada na parcela que avançou do segundo para o terceiro estrato, uma vez que neste estágio o chefe de família trabalha com carteira assinada em 39% dos casos.

O economista Ricardo Paes de Barros, também do Ipea, lembra que, para os 10% mais pobres, entre 2001 e 2007, a renda per capita subiu 50%, enquanto a renda do trabalhador nesse grupo subiu apenas 22%. Segundo ele, a renda de fontes não-ligadas ao trabalho avançou 96% para os mais pobres.

"(Rafael Rosas | Valor Online)"