SÃO PAULO - O ritmo de expansão do tráfego aéreo internacional caiu novamente em junho, afirma a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). Segundo a entidade, o tráfego de passageiros cresceu 3,8% em junho ante igual mês de 2007, quando subiu 5,4%. Essa é a menor taxa em registro desde 2003. No segmento de carga, houve queda de 0,8% no tráfego aéreo.

Segundo a Iata, a taxa média de ocupação de aeronaves de passageiros fechou junho em 77,6%, 1,2 ponto percentual abaixo do registrado um ano antes.

A turbulência econômica global claramente se mostra na queda de 0,8% nos volumes de carga em relação ao ano passado. Embora a demanda de passageiros tenha crescido 3,8%, esse é o ritmo mais baixo que vimos desde que a indústria foi afetada pela crise da gripe aviária, em 2003, afirmou o diretor-geral e executivo-chefe da Iata, Giovanni Bisignani. Com a confiança dos consumidores e das empresas caindo e com os altos preços do petróleo, a situação vai piorar bastante, acrescentou.

Segundo a Iata, a capacidade total aumentou 5,5% em junho no segmento de passageiros. Esse crescimento mais elevado que a demanda causou, portanto, a retração na taxa média de ocupação da indústria, afirmou a entidade.

Apenas na América do Norte, a taxa de elevação na demanda dos passageiros caiu de 8,2% em junho de 2007 para 4,4% no mesmo mês deste ano. O tráfego doméstico na região caiu quase 4% nesse intervalo, afirma a Iata.

A única região a registrar bom desempenho na demanda de passageiros foi a América Latina. O crescimento econômico dos países latino-americanos, obtido a partir dos aumentos nos preços das commodities, afirma a Iata, levou a uma expansão de 12,5% no tráfego de passageiros.

No segmento de cargas, por outro lado, a América Latina registrou a maior retração no tráfego: 12,7% em junho, ante igual mês do ano passado. Segundo a Iata, essa queda se deu por conta da reestruturação do setor de transporte aéreo de carga nos países da região, ainda em andamento. A Ásia e Pacífico também viu recuar o tráfego de cargas, que caiu 4,8% no período.

O melhor desempenho em cargas se deu no Oriente Médio. As empresas do setor na região viram aumentar em 12,1% o tráfego de cargas em junho, afirma a Iata.

As companhias aéreas estão em apuros. Os prejuízos neste ano podem chegar a US$ 6,1 bilhões, mais do que eliminando o ganho de US$ 5,6 bilhões que elas tiveram em 2007. A demanda em queda e o aumento nos custos estão remodelando nossa indústria, afirmou Bisignani. Para sobreviver à crise, medidas urgentes são necessárias. Aeroportos e serviços de navegação aérea têm de ajudar com operações mais eficientes que levem a economia de custos. Trabalhadores têm de entender que a eficiência é o único caminho à segurança no emprego. E os governos têm de parar com taxações malucas e dar às companhias a liberdade para se fundir e consolidar onde isso fizer sentido comercial, completou o diretor-geral da Iata.

(José Sergio Osse | Valor Online)

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