Crescimento do Japão desacelera com iene mais forte

Por Tetsushi Kajimoto e Stanley White

TÓQUIO (Reuters) - O crescimento da economia japonesa desacelerou no segundo trimestre e analistas veem mais fraqueza no futuro, o que realimenta a dor de cabeça das autoridades monetárias que lutam contra a deflação e a alta do iene.

O governo do Japão está considerando novas medidas de estímulo, como incentivos ao emprego e ao setor corporativo, informou a agência de notícias Kyodo nesta segunda-feira. Dados mostraram desaceleração nos Estados Unidos e na China, principais destinos das exportações japonesas, e enfraquecimento da recuperação doméstica.

Com o pano de fundo dos esforços para amenizar a alta do iene, que atingiu máxima em 15 anos ante o dólar na semana passada, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,1 por cento no segundo trimestre, com uma expansão anualizada de 0,4 por cento.

O PIB ficou abaixo da mediana das previsões do mercado de crescimento de 2,3 por cento, e foi menor que a expansão anualizada de 2,4 por cento dos EUA no mesmo período.

Também veio após o crescimento anualizado de 4,4 por cento registrado no primeiro trimestre, quando as exportações e a recuperação à base de estímulos contribuíram para o avanço geral.

Entre abril e junho, os efeitos dos estímulos acabaram. As exportações se tornaram o único motor da economia e sua contribuição ao crescimento caiu a 0,3 por cento.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, e o presidente do banco central, Masaaki Shirakawa, devem se reunir nesta semana para discutir possíveis repostas de política econômica.

"Acho que o Banco do Japão e o governo precisam tomar medidas decisivas contra os movimentos cambiais", avaliou Takeshi Minami, economista-chefe do Norinchukin Research Institute, em Tóquio.

"A intervenção cambial é possível se o iene se aproximar de 80 ante o dólar. Se for acompanhado de alívio monetário pelo Banco do Japão, isso pode ter um certo efeito."

Citando fontes governamentais, a agência Kyodo disse que as medidas de estímulo ao crescimento podem incluir incentivos ao consumo de produtos ecologicamente corretos, ajuda a recém-formados que procuram emprego e revitalização de empresas pequenas e médias.

CHINA SUPERA JAPÃO

Os últimos dados de atividade colocam a China à frente do Japão como segunda maior economia do mundo no trimestre, com 1,2883 trilhão de dólares ante 1,3369 trilhão de dólares, disse Keisuke Tsumura, secretário parlamentar do gabinete.

"(Mas) já que nós temos cálculos diferentes para ajustes sazonais, seria correto e justo comparar os números para o ano como um todo", disse Tsumura.

O principal regulador cambial da China disse no mês passado que a economia chinesa já havia ultrapassado a do Japão.

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