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Crédito tributário sustenta lucro da Caixa no 4º trimestre

BRASÍLIA - Assim como todo o sistema financeiro, a Caixa Econômica Federal sentiu a crise no fim de 2008, apesar de ter registrado o expressivo aumento de 43,3% na carteira de crédito. Com o aumento das provisões contra inadimplência, o banco recorreu a créditos tributários para garantir resultado melhor.

Valor Online |

Ainda assim, o lucro do banco oficial recuou para R$ 619,05 milhões no quarto trimestre, em comparação com o ganho de R$ 673,17 milhões de igual período de 2007 e de R$ 731 milhões no terceiro trimestre de 2008.

Como teve bom desempenho antes do agravamento da crise em meados de setembro, a Caixa fechou o ano com lucro líquido de R$ 3,88 bilhões, alta de 62,3% sobre o resultado de 2007, cujo valor foi revisado. Divulgado à época em R$ 2,51 bilhões, hoje a diretoria da Caixa informou que o lucro de 2007 foi na verdade de R$ 2,39 bilhões. A assessoria não explicou o motivo da revisão.

Desconsiderando crédito tributário ativado pela Caixa, o lucro do quarto trimestre, auge da crise mundial, na verdade teria ficado bem abaixo dos R$ 619 milhões, "por volta de R$ 250 milhões", segundo o vice-presidente de Controladoria e Risco, Marcos Vasconcelos. Isso porque, somente em provisão contra risco de crédito, a Caixa apartou R$ 1,26 bilhão no último trimestre, o triplo dos R$ 423 milhões da provisão de todo o ano de 2007.

No total provisionado ano passado, R$ 635 milhões foram em provisão adicional, porque a Caixa diz que sabe que a "inadimplência aumentará nesse novo cenário". Ao fazer essa provisão extra, o impacto negativo no lucro foi de R$ 360 milhões. Para compensar a retração e elevar seu lucro, o banco ativou R$ 1,7 bilhão em crédito tributário, sendo R$ 848 milhões só no último trimestre.

O resultado das operações bancárias da Caixa entre outubro e dezembro espelha bem o efeito da crise: R$ 51 milhões ante R$ 724 milhões de julho a setembro.

Vasconcelos explicou que a carteira de crédito subiu de R$ 55,9 bilhões para R$ 80,06 bilhões, variação de 43,3%, ou mais que o dobro dos 20% registrados no exercício anterior. Contribuíram as operações de crédito para empresas, ampliadas por pressão do governo no auge da crise, quando a Caixa chegou a liberar R$ 2 bilhões para a Petrobras.

Somente o crédito a pessoa jurídica teve variação positiva de 87,2% no ano, somando R$ 15,1 bilhões. "Se tirar a operação da Petrobras, essa variação cai para 50%", explicou o executivo do banco oficial. Para 2009, ele prevê aumento do crédito em 30%, o triplo dos 10% esperados pela média do mercado.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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