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Crédito requer incentivo, diz Banco Mundial

BRASÍLIA - Grande número de países em desenvolvimento está entrando numa nova zona de turbulência provocada pela crise financeira mundial, e, para evitar conseqüências severas, a paralisação nos mercados de crédito tem de ser atacada rapidamente pelas principais economias do planeta, que se reúnem neste fim de semana em Washington, alertam analistas do Banco Mundial convocados para assessorar o grupo das maiores economias mundiais, o G-20.

Valor Online |

As condições de crédito tendem a piorar em 2009, e exigem resposta rápida, concordam técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Deve ser revisto, para incluir hipóteses mais pessimistas, o cenário de arrocho no crédito traçado pelo relatório sobre estabilidade financeira global, divulgado pelo FMI em outubro.

O relatório, já austero, previa que a oferta de crédito não teria nenhum crescimento, e que seriam necessários US$ 675 bilhões para financiamento nos próximos dois anos. A ação dos bancos centrais que injetaram dinheiro nos bancos privados é suficiente para suprir essas necessidades de crédito, avalia o Fundo; mas o problema é que o agravamento da crise deve provocar perdas muito maiores que as esperadas.

O risco do efeito bumerangue, com o reflexos, nos bancos dos países ricos, da crise sobre os emergentes, deve servir de alerta aos governos do G-20, acreditam os técnicos. Uma das principais preocupações dos economistas dos bancos multilaterais é a rapidez com que a crise se espalhou para a Europa e países em desenvolvimento, e se deterioraram as condições de financiamento nos países emergentes, especialmente para o setor privado.

O ajuste nos sistemas financeiros dos países desenvolvidos deve reduzir a disponibilidade de crédito pelos próximos anos, o que torna ainda mais desafiador o cenário para os países emergentes necessitados de financiamento. É grande o número desses países, até hoje beneficiados por fluxos de investimentos diretos que vinham sendo estimulados pelo crescimento nas economias centrais.

Na estimativa do FMI, as necessidades de financiamento nesses países praticamente dobrarão entre este ano e o ano que vem, o que exigirá uma emissão recorde de títulos da dívida. O setor privado deve aumentar suas necessidades de quase US$ 250 bilhões para pouco mais de US$ 470 bilhões; o setor público, de quase US$ 100 bilhões para cerca de US$ 200 bilhões. Isso em uma situação de aumento nos custos dos papéis, e na qual, desde setembro nenhuma empresa de país emergente encontrou condições de emitir títulos no mercado externo, sequer para rolar dívidas existentes.

O " efeito bumerangue " identificado pelo FMI tem duas vias: por um lado a deterioração dos preços dos ativos mantidos por bancos estrangeiros nos mercados emergentes pode levar a fortes perdas nesses bancos, com grande exposição a créditos na Ásia, América Latina e Leste Europeu; por outro, a piora na situação dos bancos europeus pode levá-los a aumentar taxas de risco e reduzir a oferta de crédito, dificultando ainda mais a situação dos países em dificuldades.

Esses são só alguns dos problemas que terão de ser tratados pelos governantes reunidos em Washington, sob um clima de desânimo pela falta de um importante convidado, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama. O encontro já foi apelidado de Bretton Woods II, em comparação com a conferência de Bretton Woods, que criou instituições como o Banco Mundial e o FMI, para lidar com os desafios econômicos após a Segunda Guerra Mundial.

As chamadas instituições de Bretton Woods, habitualmente mais inclinadas a políticas de contenção de demanda em situações de crise, agora defendem que a política fiscal tenha um papel central no esforço para reduzir os riscos de deflação e sustentar o consumo e os investimentos. Cortes nas taxas de juros como os que vêm sendo anunciados pelos países ricos são importantes, mas apenas paliativos para a severa contração de crédito, que deve aumentar em 2009. Isso é especialmente verdadeiro nos EUA, onde já não há mais espaço para novos cortes na taxas de juros, na avaliação dos técnicos.

Os economistas do Fundo concordam com a ênfase de Obama para a necessidade de medidas destinadas a deter a queda no preço dos imóveis e inadimplência nas hipotecas nos EUA. Discordam porem da idéia de criar descontos nos impostos para isso; o mais eficiente, acreditam, será apoio financeiro direto ao setor imobiliário, transferências para governos estaduais para programas nos setor e aumento de gastos com obras públicas.

Na Europa, onde a política monetária ainda é vista como apertada pelo FMI e as pressões inflacionárias decrescem com a queda nos preços de commodities, novos cortes nas taxas de juros podem ser recomendáveis, aliados a medidas coordenadas de expansão dos gastos públicos.

A recuperação dos mercados desenvolvidos é fundamental para lidar com fatores responsáveis pela contaminação da crise nos países emergentes. Além das necessidades de financiamento das dívidas, um grande número de países emergentes registra crescimento em seus déficits de contas correntes, o balanço das transações comerciais, de serviços e de transferências dessas nações com o exterior.

Um dos sérios problemas é a queda nas remessas feitas por imigrantes aos países de origem, segundo nota o banco Mundial: em 28 países, essas remessas, que devem chegar a US$ 295 milhões neste ano, são maiores que as receitas de exportação da commodity mais relevantes; em 36 nações são maiores que a entrada de capitais privados ou do setor público. Devem cair rapidamente em 2009, de, em média, 2% do PIB para 1,7% do PIB dos países de destino do dinheiro.

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