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Preocupado com o risco de a crise internacional interromper a trajetória de crescimento mais acelerado da economia brasileira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, tratou ontem de sinalizar para as empresas que o governo vai assegurar o crédito que for necessário para novos investimentos, agricultura ou exportação.

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Segundo Mantega, já está havendo uma escassez de crédito internacional para as empresas no Brasil, mas não o crédito local destinado ao consumo.

A estratégia de "blindagem" do País à crise com o fortalecimento dos investimentos foi acertada em reunião anteontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e tem o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como o principal operador. Segundo Mantega, Lula está preocupado com os efeitos da crise sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira.

"Se sentirmos essa escassez se prolongar, podemos tomar algumas medidas no sentido de estimular o crédito para investimento. Não para consumo, porque não está faltando", disse o ministro. Mantega reconheceu que neste momento de agravamento da crise empresas brasileiras não estão conseguindo tomar empréstimo no exterior, ou estão pagando alto por isso. Mas avaliou que é um problema que deve ser passageiro.

"Esse é um problema que pode ser resolvido. Então, se faltar crédito para investimento, para agricultura, para exportação, o governo tomará as medidas no sentido de supri-lo." O ministro avaliou que é pequeno o risco de contaminação da economia brasileira pela crise. "Não vejo contaminação." Ele reafirmou que o sistema financeiro brasileiro está sólido.

Mantega elogiou a decisão do governo americano de socorrer a seguradora AIG. E disse que, depois da experiência com o Lehman Brothers não ter sido bem-sucedida, foi acertada a decisão dos Estados Unidos. Segundo o ministro, o governo americano não deve salvar todas as empresas, mas o Federal Reserve (Fed) não pode permitir que ocorram problemas que afetem todo o sistema. "Senão você vai permitir que haja uma quebradeira geral, e aí é ruim para todos."

O ministro avaliou que as empresas que ficaram com grandes exposições no crédito hipotecário têm de pagar o preço, e estão pagando. "Basta ver as ações de um dos bancos que se envolveram nisso. O Lehman Brothers virou pó." Mantega alertou, no entanto, que, quando uma quebradeira generalizada atinge vários países, é preciso intervir. Do contrário, pode haver um problema maior para a economia mundial.

O ministro da Fazenda disse que está satisfeito com o desempenho do combate à inflação, cujos índices vêm apresentando queda ou desaceleração. Segundo ele, essa desaceleração está sendo observada em todos os índices.

De acordo com o ministro, a inflação de 2008 ficará "tranqüilamente" abaixo do teto da meta, que é de 6,5%. Mas, ao ser questionado se seria possível, já em 2009, levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%, foi conclusivo: "Pergunte ao Banco Central."

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