O volume total de crédito concedido a consumidores e empresas é muito superior a 37% do Produto Interno Bruto (PIB) ou R$ 1,086 trilhão emprestado pelo sistema financeiro em julho, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). Se forem consideradas as operações formais e informais que correm por fora de bancos e financeiras, a fatia do crédito total pode chegar 50% do PIB, segundo estimativas do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira.

O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, projeta que a participação do crédito total, bancário e não-bancário, no PIB é hoje da ordem de 60%. "Esse é um número razoável", avalia o consultor especializado em varejo financeiro, Boanerges Ramos Freire.

Apesar de não ter cálculos atualizados sobre o volume total de crédito disponível na economia, Freire lembra que dois estudos sobre o tema feitos em 2004, um por ele e outro pelo economista da Fundação Instituto de Administração (FIA) da Universidade de São Paulo (USP), Nelson Barrizzelli, chegaram à mesma conclusão. Isto é, o crédito não-bancário destinado a pessoas físicas girava naquela época cifras equivalentes ao crédito bancário.

Entre 2004 e 2008, aumentou o interesse dos bancos de emprestar dinheiro por causa da queda da remuneração dos títulos públicos. No início, o alvo da disputa foi o crédito ao consumidor. Mais recentemente, as instituições financeiras se voltaram para os empréstimos destinados a empresas. Com o aumento da oferta de crédito pelos bancos, a tendência é diminuir o volume de operações de financiamento fechadas fora do mercado bancário, observa o vice-presidente da Anefac. "O crédito formal cresce e o empréstimo informal diminui."

Ele lembra que, no passado, o volume de cheques pré-datados era muito grande. Com a criação do cartão de crédito parcelado, por exemplo, uma parte dessa forma de financiamento que não era computada na contabilidade do sistema bancário como empréstimo passou a ser incluída nas estatísticas oficiais de crédito do BC.

De toda forma, ainda o crédito não-bancário é significativo. Só as operações de fomento mercantil, conhecidas como factoring, correspondem a 2% do PIB, observa Ribeiro de Oliveira. Ele ressalta que existem várias linhas de financiamento disponíveis fora do sistema bancário. Nesse rol, estão os empréstimos entre empresas. Um exemplo dessa modalidade de financiamento é uma indústria que vende a prazo para um supermercado.

Nas estimativas sobre a fatia do volume total de crédito em relação ao PIB, o vice-presidente da Anefac levou em conta também os financiamentos ao consumo bancados pelas lojas por meio de cartões próprios que estão fora da contabilidade do BC, os empréstimos feitos pelas empresas a funcionários e operações de agiotagem, entre outras. Freire acrescenta a esse grupo de empréstimos as operações de emissões de debêntures feitas por empresas.

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