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Crédito imobiliário vai crescer, diz Bradesco

Apesar da crise internacional, que deve provocar desaceleração do crescimento econômico no Brasil nos próximos meses, o Bradesco prevê que o crédito imobiliário continuará aquecido. O mercado imobiliário continuará aquecido, mesmo com a desaceleração da economia.

Agência Estado |

Não haverá falta de recursos, porque há a exigibilidade (obrigação de aplicar recursos da caderneta de poupança em crédito imobiliário) a ser cumprida", afirmou ontem o diretor de Relações com Investidores do Bradesco, Milton Vargas, durante teleconferência com analistas financeiros.

O Bradesco separou, para este ano, R$ 5,7 bilhões para financiamento de imóveis. Até o encerramento do terceiro trimestre, R$ 4,812 bilhões já estavam comprometidos para essa finalidade. "Falta pouco para cumprirmos a meta estipulada para este ano. E acredito que não teremos dificuldade, tendo em vista os negócios que já estão em andamento", disse.

Já em relação ao crédito concedido para compra de automóveis, o Bradesco admite um arrefecimento. Segundo o presidente do banco, Marcio Cypriano, as operações de empréstimo estão sendo feitas normalmente pelo Bradesco, com exceção dos financiamentos de veículos.

"Já verificamos uma queda razoável nessa modalidade. O mercado se ressentiu mais com a crise e decidimos adotar algumas medidas que consideramos adequadas para o momento, como a exigência de uma entrada maior para os financiamentos e redução de prazos, que estavam muito alongados", afirmou, também durante a teleconferência.

Em setembro, a posição do Bradesco em financiamento ao consumo, que inclui crédito para compra de veículos, crédito pessoal, consignado e financiamento de bens, entre outros, era de R$ 56,19 bilhões. Esse valor representa uma alta de 5,5% em relação ao final do segundo trimestre de 2008 e de 28,3% nos últimos 12 meses.

O Bradesco trabalha com previsão de estabilidade nos níveis de inadimplência nos próximos meses. A taxa de inadimplência total do banco ficou em 3,5% em setembro deste ano, uma queda de 0,2 ponto porcentual em relação ao registrado no mesmo mês do ano passado, de 3,7%. "Esperamos estabilidade nos próximos trimestres, ressaltando que o comportamento da renda e do emprego serão fundamentais para que isso ocorra no segmento de pessoa física", afirmou Vargas.

A equipe de análise econômica do Bradesco estima um crescimento de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009. Com base nessa estimativa, o banco prevê que pode alcançar uma alta de 20% no crédito no próximo ano. Para 2008, o Bradesco acredita que alcançará uma taxa de crescimento entre 29% e 30% no crédito.

Na segunda-feira, o Bradesco anunciou seus resultados do terceiro trimestre. O lucro, de R$ 1,91 bilhão, foi o terceiro maior resultado da história registrado entre bancos brasileiros para o período trimestral de julho a setembro. A comparação foi feita pela consultoria Economática, ajustando os dados de anos anteriores à inflação medida pelo índice IPCA.

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