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A concessão de novos empréstimos no Brasil está retornando aos níveis anteriores à crise financeira internacional, destacou ontem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em palestra no Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea). Considerando a média diária de concessões de crédito em setembro como base 100, as concessões caíram 7,3%, para 92,7 em outubro, e atingiram 101,1 até 15 de janeiro.

Apesar de a crise ter entrado em sua fase aguda em 15 de setembro com a falência do Lehman Brothers, a média diária de novos empréstimos naquele mês foi uma das maiores de 2008, R$ 7,37 bilhões, caindo drasticamente em outubro.

Enfatizando a condição favorável com que o Brasil enfrenta a crise, Meirelles aproveitou para dar uma mensagem aos agentes econômicos. Para ele, é preciso evitar ficar "preso" às oscilações de curto prazo na economia.

"Há movimentos importantes de curto prazo, como ajustamento de estoques, que podem fazer com que se propague certa atitude na economia que não é muito saudável. É bom que sejamos realistas, mas atitudes agressivas do ponto de vista defensivo também podem exacerbar problemas desnecessariamente."

A preocupação é de que movimentos como a forte queda na produção industrial em dezembro, motivados pela postura defensiva dos empresários que pararam as linhas de produção e venderam boa parte de seus estoques, se repitam, contaminando a expectativa e o desempenho da economia brasileira.

Ele admitiu que, embora importada, a crise é séria. Enfatizou que o governo continuará trabalhando para preservar as conquistas e para que o Brasil confirme previsões de que será um dos menos afetados.

Meirelles explicou que o crédito foi um dos canais por meio do qual a situação externa afetou o Brasil. A contaminação se deu por causa, principalmente, da contração drástica da oferta internacional de crédito. Por isso, o governo tem atuado para suprir essa carência, ofertando recursos das reservas internacionais e ampliando a capacidade de crédito dos bancos públicos, como a injeção de recursos de R$ 100 bilhões no BNDES.

"Nós estamos substituindo o crédito externo. Essa é a primeira etapa. Na etapa seguinte, é importante que os preços do crédito caiam, que a taxa de aplicação seja menor", afirmou.

Segundo Meirelles, o estoque de financiamentos no sistema financeiro em dezembro cresceu 6,5% ante setembro. Destacou que, na mesma base de comparação, os bancos pequenos tiveram crescimento de 0,6%, os grandes bancos de 10% e os bancos públicos de 12,9% no estoque de crédito.

Informou que as intervenções do BC no mercado de câmbio desde o agravamento da crise até janeiro somaram US$ 61 bilhões. As liberações de depósito compulsório feitas para atenuar a falta de dinheiro no mercado interno somaram R$ 99,2 bilhões. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.