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Classe C ganhou 30 milhões de pessoas vindas da classe D em cinco anos e agora soma 92,8 milhões, segundo pesquisa do BNP Paribas

O aumento da renda média dos brasileiros, somado à maior disponibilidade de crédito, impulsionou o consumo no País e levou à migração de cerca de 30 milhões de pessoas da classe D para a classe C nos últimos cinco anos.

Os dados fazem parte de pesquisa divulgada nesta terça-feira pela Cetelem, financeira do grupo francês BNP Paribas. Conforme o estudo, apenas em 2009 aproximadamente 8 milhões de brasileiros passaram a ocupar a classe média ante o ano anterior, totalizando 92,8 milhões de pessoas.

"O consumo vai se manter aquecido nos próximos 12 meses. O brasileiro está poupando e planejando o que vai comprar, tendência que deve ser mantida nos próximos anos pela melhora do cenário econômico nacional", disse o diretor geral da Cetelem no Brasil, Marcos Etchegoyen, em evento com jornalistas.

Segundo ele, medidas anti-cíclicas adotadas ao longo do ano passado, como a desoneração e/ou redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para produtos de linha branca, automóveis e materiais de construção, também levaram ao avanço do consumo no país e, consequentemente, à migração de classes.

O levantamento apontou que, no ano passado, a renda média das famílias brasileiras atingiu o recorde de R$ 1.285, impulsionada principalmente pelo aumento dos ganhos das classes C e D/E.

A classe A/B, contudo, registrou leve queda na renda, que passou de R$ 2.586 para R$ 2.533 na comparação anual. "Os efeitos da crise foram mais diretos no topo da pirâmide", assinalou Etchegoyen.

A pesquisa revelou ainda que, após a crise financeira mundial, o brasileiro passou a poupar mais. Em 2009, os recursos destinados a aplicações, poupança e investimentos somaram R$ 535,31, volume R$ 220 superior à média em 2008. Em relação aos próximos 12 meses, 76% dos entrevistados afirmaram que pretendem aumentar as economias.

"A crise teve um efeito educativo e o brasileiro voltou a poupar, tanto pelo aumento da renda quanto como uma forma de se precaver para uma eventual necessidade", afirmou o executivo.

A classe C, ao mesmo tempo em que foi a que mais poupou no ano passado, foi aquela que mais recorreu ao crédito. "Esse movimento mostra um consumidor mais maduro e consciente. É preciso recorrer ao crédito para consumir, mas manter reservas para eventuais emergências", disse Etchegoyen.

Nesse sentido, em 2009, as pessoas se sentiram mais seguras para comprar itens financiados, segundo o estudo, que identificou uma tendência de crescimento de compras financiadas de eletroeletrônicos --principalmente de televisões--, fogões e geladeiras, além de carros.

O valor médio destinado ao pagamento de prestações --utilizado para medir o endividamento da população-- no último ano foi de R$ 64, sendo que a classe A/B respondeu por R$ 122, enquanto a classe C destinou R$ 73. A classe D, por sua vez, destinou R$ 25.

Nos últimos cinco anos, o número de pessoas que precisou atrasar algum pagamento também diminuiu. Em 2009, apenas 3% declararam ter atrasado uma prestação, enquanto em 2005 o índice era de 9%.

A pesquisa da Cetelem foi realizada com 1.500 pessoas, com mais de 16 anos, em 70 cidades de nove regiões metropolitanas do Brasil. Os dados de 2009 foram coletados entre os dias 18 e 29 de dezembro.

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