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BRASÍLIA - Dados do Banco Central (BC) divulgados hoje apontaram que a escassez de crédito para comércio exterior mostrava piora já na primeira quinzena de setembro. Os empréstimos com recursos externos diminuíram 2,6%, em dólares, e cerca de 2%, em reais, no mês até o dia 15.

Ao divulgar os números, o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, notou que esse quadro já era observado antes da crise de liquidez externa ficar mais aguda, com a quebra do quarto maior banco de investimentos americano, o Lehman Brothers, na semana passada.

Lopes informou que o crédito segue em expansão no país, em setembro, mas lastreado em empréstimos domésticos. Até o dia 15, a carteira de crédito referencial (para medir a taxa média de juros) registrava evolução de 2,6%, ante os 11 primeiros dias úteis de agosto. A alta era puxada pelos empréstimos para pessoas jurídicas, com avanço de 3,9%, ante crescimento de 0,9% no crédito para pessoa física no mesmo intervalo.

Ainda em relação às informações preliminares deste mês, a participação dos recursos internos no total das operações de crédito crescia 2,8%. A carteira de recursos externos, em reais, tinha expansão de 7,8%, influenciada pela desvalorização cambial de cerca de 10%. Expurgando-se a depreciação do real, a taxa fica negativa ao redor dos 2%, movimento oposto à variação em agosto, quando subiu 2,2% sobre julho.

O BC informou que no crédito referencial de cerca de R$ 618 bilhões, que teve alta mensal de 2,1%, as operações para repasses e adiantamento de contratos de câmbio (ACC) estavam em cerca de R$ 80 bilhões, no mês passado.

Já a carteira de recursos domésticos cresceu 3,3% no mês e 50,5% no período de 12 meses acumulado até agosto.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

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