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Crédito chega ao consumidor, diz Febraban

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fabio Barbosa, negou ontem que as instituições financeiras estejam segurando o dinheiro dos depósitos compulsórios liberados pelo Banco Central (BC). Não faz sentido captarmos dinheiro no mercado pagando 102% do CDI (taxa de juro que de referência do mercado interbancário) e recebermos 100% do CDI aplicando em títulos públicos, argumentou.

Agência Estado |

Ele ressaltou que os bancos não têm "posição antagônica à do presidente Lula" no que se refere à ampliação do crédito. Barbosa explicou que alguns fatores ainda colaboram para a escassez de empréstimos. O primeiro é a diminuição de linhas externas de financiamento.

O segundo é o fato de que algumas medidas do governo para aliviar a crise de liquidez ainda não fizeram todo o efeito. Ele comparou o processo à abertura de uma torneira de água quente - demora um tempo entre a abertura da torneira e a vazão. Por fim, Barbosa lembrou que a própria demanda do consumidor caiu após o aprofundamento da crise.

Ontem de manhã, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, criticou as decisões do governo para dar liquidez ao mercado e disse que elas "ajudam a dar sangue ao vampiro". Aubert Neto afirmou que, além de segurar os recursos que estão sendo liberados pelo BC, os bancos estariam aumentando absurdamente as taxas de juros.

No fim da tarde, a Febraban divulgou uma nota na qual afirma que os bancos "estão fazendo com que os recursos cheguem" às empresas e aos consumidores. A entidade cita dados do BC para mostrar que os números do crédito prosseguem em evolução. Mesmo diante da turbulência econômica mundial, a soma total alcançou em setembro R$ 1,15 trilhão, com acréscimo de 34% em 12 meses e de 3,5% no mês.

O comunicado diz, ainda, que o total de crédito no País atingiu o recorde de 39,1% do Produto Interno Bruto (PIB), "indicando a continuidade da expansão dos financiamentos na economia brasileira".

Segundo a Febraban, os grandes bancos privados também têm comprado carteiras de crédito, "no empenho de injetar recursos na economia e melhorar as condições de liquidez do sistema". Até anteontem, informou a federação, as principais instituições financeiras haviam comprado 53 carteiras de diferentes empresas - o equivalente a cerca de R$ 4,8 bilhões.

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