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Crédito cada vez mais longo

Enquanto os juros cobrados do consumidor final sobem, puxados pela alta da taxa básica, a Selic, o brasileiro está fazendo dívidas cada vez mais longas. Em junho, o prazo médio das operações para a compra de veículos foi de um ano, sete meses e 27 dias, segundo o Banco Central.

Agência Estado |

Um ano antes, o tempo médio do parcelamento era dez dias menor. Já quem pegou dinheiro emprestado em junho, por meio de linhas de crédito pessoal, vai levar em média um ano, quatro meses e 15 dias para pagar - dois meses e oito dias a mais do que o tempo registrado em junho de 2007.

O alongamento de prazos, segundo especialistas, está ligado ao baixo risco das operações para os bancos e ao bom momento da economia. O economista Amir Khair, especialista em Finanças Públicas, explica que a inadimplência está controlada, e, por isso, os bancos não correm tanto risco na hora de emprestar o dinheiro. Em junho, a inadimplência em operações de crédito pessoal chegou a 5,1%, segundo o Banco Central. Nesse grupo, entram as pessoas que atrasaram as parcelas por mais de 90 dias. No mesmo mês do ano passado, o porcentual era maior: 5,5%.

"Os bancos não estão preocupados com a inadimplência, porque a economia está crescendo, assim como os salários. Como existe confiança no pagamento das dívidas, a tendência é que as instituições aumentem os prazos", confirma o economista Miguel Ribeiro de Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac).

Além disso, o alongamento de prazos é interessante para as instituições financeiras. "Os bancos têm mais lucro oferecendo prestações com prazos mais longos e cobrando mais juros", afirma Khair.

No passado, quando a Selic atingia níveis maiores, os bancos preferiam comprar títulos do Tesouro Nacional a emprestar dinheiro ao consumidor. Na prática, com os juros altos, era mais lucrativo emprestar o dinheiro para o governo (comprando títulos) do que para o brasileiro, por meio de empréstimos. Resultado: o crédito ficava mais escasso, e os prazos, mais curtos.

Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a Selic para 13% ao ano. Apesar da alta, Oliveira explica que continua sendo mais lucrativo para os bancos emprestar para o consumidor final.

No tamanho do bolso

O economista Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios, lembra ainda que a alta da Selic influencia os juros cobrados do consumidor final. Por isso, a extensão dos prazos de pagamento também serve para diluir os aumentos dos juros. "O que acaba contando para o tomador de crédito é o valor da parcela", resume Leite.

A compra de um carro de R$ 25 mil, por exemplo, com o custo efetivo total (que já inclui juros e todas as tarifas cobradas) de 2,5% ao mês, gera parcelas de R$ 752,10 se o prazo for de 72 meses. Porém, o custo total é maior, em relação a prazos menores (veja quadro acima).

Com prazos mais longos, o valor das parcelas cai, mas o impacto dos juros no bolso do consumidor é maior. Alguns consumidores, como o office-boy João Batista da Silva Neto, de 24 anos, acabam se descontrolando.

"Fiz um empréstimo de R$ 1 mil em 2006, para pagar outras dívidas. Parcelei em 12 vezes, mas não consegui pagar", lamenta.

Silva Neto saiu de férias durante o ano e, quando voltou, não conseguiu pagar, ao mesmo tempo, suas despesas pessoais e as prestações. "Foi um descuido. Agora, quero pagar o que estou devendo, para limpar meu nome."

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