O volume de empréstimos cresceu 2,1% em junho em relação a maio, e atingiu R$ 1,067 trilhão, apesar da alta das taxas de juros. O ritmo de contratação de empréstimos desacelerou, no caso das pessoas físicas, mas se manteve em alta para as empresas.

Mesmo encarecido, o crédito cresceu de 14% no primeiro semestre. Com esse desempenho, o conjunto de todas as operações atingiu valor equivalente a 36,5% do Produto Interno Bruto (PIB), maior nível desde janeiro de 1995. Em maio, a proporção era de 36,3%. O BC projeta 40% no fim do ano.

Essa expansão dos empréstimos tem ocorrido em praticamente todos os segmentos. Mas a liderança é, de longe, das empresas. No mês, o crédito das pessoas jurídicas cresceu 3,3% ante maio. O desempenho é quase cinco vezes maior que a evolução dos empréstimos para as famílias, que aumentaram 0,7%.

Segundo o BC, empresas têm ido aos bancos para reforçar o caixa e, assim, atender à demanda em tempos de economia aquecida. No mês, o crédito para capital de giro cresceu 5,6% e já soma R$ 133,4 bilhões. No semestre, a expansão acumulada é de 80,7%.

Em relatório, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) diz que muitas empresas têm ido aos bancos como alternativa aos empréstimos internacionais e ao mercado de capitais. No exterior, as condições não são favoráveis pela crise nos Estados Unidos e, no Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo registra menor demanda por ações em tempos de queda dos papéis.

Entre as famílias, dois segmentos chamam a atenção: o crédito imobiliário cresceu 6% no mês e 88,8% no semestre; e o leasing para pessoa física teve expansão de 7,4% em junho e 135,8% nos seis meses. Em junho, 88,7% dessas operações foram usadas para veículos.

Outro movimento tem acendido a luz de alerta para alguns analistas. "Famílias estão recorrendo a alternativas pouco convencionais, mais caras, como o cheque especial. Pode ser o prenúncio de dificuldades no futuro", diz o economista do Banco Fator José Francisco de Lima Gonçalves.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.