Estímulos do governo favoreceram expansão do volume de empréstimos para 45% do PIB em 2009; para 2010, expectativa é atingir 49,5%

A expansão do crédito no Brasil fará com que o volume de financiamentos no País alcance 70% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. É o que projeta um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgado nesta terça-feira. Segundo o banco, o estímulo ao crédito usado como ferramenta no esforço anticíclico do governo durante a crise, fez com que o saldo das operações de crédito passasse de 37,4% do PIB em 2008 para 45% no ano passado.

O estudo, realizado pelo superintendente da Área de Pesquisa e Acompanhamento Econômico do BNDES, Ernani Torres Filho, registra que, em 2004, o crédito era calculado em 23,1% do PIB. Para ele, os efeitos positivos da expansão do crédito na manutenção da atividade econômica interna durante a crise "criou condições para que esse mercado não só sustente a trajetória de crescimento dos últimos anos, mas também venha a evoluir, ao longo dos próximos quatro anos, em direção a uma maior oferta de empréstimos de prazos mais longos, hoje ainda muito concentrada em instituições oficiais".

De acordo com a projeção feita pelo BNDES no estudo, o crédito deve alcançar 49,5% do PIB este ano e 54,2% em 2011, numa trajetória crescente até 2014, quando deverá alcançar 70%. O crédito para pessoa física é o que deve ter maior crescimento, passando de 17,1% do total este ano para 23,7% em 2010. A participação do financiamento para a habitação também deve crescer, segundo o BNDES, de 3,3% para 9,6% nos próximos quatro anos.

Segundo Torres Filho, mais da metade da expansão do crédito entre 2004 e 2008 veio do endividamento das famílias, que, apesar da crise, mantiveram o poder de compra com o crescimento da renda e o baixo impacto no nível de emprego. Para o economista do BNDES, essa expansão do crédito se dá por meio de "um sistema bancário de robusto e pouco alavancado".

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