BRASÍLIA - Pela ótica do Banco Central (BC), mesmo sem a efervescente trajetória dos últimos dois anos, dados parciais de fevereiro apontam que há uma retomada na concessão de crédito após o auge da crise mundial. A autoridade monetária mantém a projeção de alta de 16% no saldo das operações em 2009 sobre 2008, que deve subir de 41,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro para 43% ao fim do ano.

Números da rede bancária até o último dia 11 mostram que o volume de crédito referencial para taxa de juros crescia 0,2% sobre igual intervalo de janeiro. A alta é puxada pelo aumento de 1,2% nas linhas para pessoas físicas, enquanto o crédito para empresas recuava 0,6% nesta comparação.

Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, a queda nas concessões a pessoas jurídicas é comum nos meses de janeiro e fevereiro, quando a atividade mercantil se desaquece em relação ao grande movimento de fim de ano.

É lançando mão dessa sazonalidade que ele explica a diminuição de 13,7% na concessão média diária do crédito global em janeiro, lembrando que em janeiro de 2008 tinha havido queda de 11,6%. Pelo mesmo critério, o recuo nas concessões a empresas foi de 21,2%, ante 13,6% negativos no mesmo mês do ano passado.

"É normal essa diminuição no crédito a pessoas jurídicas, que crescia acima de 45% em 12 meses até setembro", comentou Lopes, lembrando que os empréstimos a pessoas físicas aumentavam a taxas anuais de 25% em igual período. No mês passado, a concessão média diária às famílias cresceu 3%.

"O que vemos é uma retomada, a partir do ponto mais agudo da crise", afirmou ele.

Do lado das empresas, a modalidade com maior redução foi o repasse de recursos externos, cujas concessões tiveram queda mensal de 51,6%, seguidas das linhas de capital de giro, com diminuição de 44,6%.

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