A dificuldade de captar recursos no mercado internacional deve acelerar o processo de consolidação em alguns setores da economia, reduzindo o número de empresas que estão listadas na Bolsa de Valores de São Paulo, segundo avaliou hoje o diretor do Banco de Investimentos do Credit Suisse, José Olympio Pereira. Ele destacou que as empresas de menor porte enfrentarão maiores dificuldades no cenário atual porque o custo de captação de recursos é mais alto para elas do que para as grandes companhias.

"A tendência é de que as pequenas sejam compradas pelas empresas de maior porte", disse.

Segundo o executivo, o fenômeno deve se concentrar no setor de construção civil, onde um grande número de empresas abriu capital no último ano. Depois da Cyrela, que foi a mercado em 2005, outras 20 incorporadoras abriram capital. "Em um ano, o número de empresas de construção na Bolsa deve cair pela metade", disse o executivo, que participou hoje do 6º Fórum de Investimento da LatinFinance.

Pereira lembrou que o Brasil, assim como outros países emergentes, está saindo de um período "extraordinário" de captações de recursos a preços muito atraentes. Em 2004, o volume total de emissões de ações somou US$ 1,5 bilhão, depois saltou para US$ 30 bilhões em 2007, o equivalente a 70% do volume captado nos Estados Unidos. "Isso não existe mais", afirmou.

Neste ano, as ofertas somam quase US$ 5 bilhões e não há expectativa de que o montante cresça até dezembro, disse. Segundo ele, a crise não é passageira, mas estrutural. "O grande desafio será descobrir onde conseguir capital para poder crescer no ritmo que podemos", destacou.

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