Bancos e financeiras estão usando o argumento de vendas do Dia das Mães para oferecer empréstimo pessoal pré-aprovado a seus clientes com prazos a perder de vista. Os financiamentos chegam a 48 meses.

Bancos e financeiras estão usando o argumento de vendas do Dia das Mães para oferecer empréstimo pessoal pré-aprovado a seus clientes com prazos a perder de vista. Os financiamentos chegam a 48 meses. São quatro anos, mais da metade do tempo oferecido para quitar um financiamento de veículo, que é de 72 meses, e ainda sem a garantia real do bem. O Bradesco, por exemplo, esticou de 36 para 40 meses o prazo do financiamento do empréstimo pessoal para seus clientes. O banco começou esta semana a oferecer essa linha de crédito toda vez que um correntista acessa a máquina de autoatendimento. Ele vincula o empréstimo ao presente do Dia das Mães. A Losango, promotora de vendas do banco HSBC, é outra instituição financeira que decidiu desde quinta-feira da semana passada alongar de 15 para 24 meses o prazo do empréstimo pessoal. De acordo com a instituição financeira, a decisão foi tomada também por causa da maior procura por financiamentos que ocorre no Dia das Mães. A taxa de juros varia de acordo com o perfil do cliente. Segundo o superintendente do segmento pessoa física do Santander, Rogério Estevão, a instituição oferece 48 meses de prazo no empréstimo pessoal destinado a seus clientes. "O mercado de crédito está muito líquido", observa. Em dois meses, março e abril, o banco pré-aprovou uma cifra significativa de crédito para os correntistas. "Não estamos usando o argumento do Dia das Mães. O nosso mote é que estamos junto com os nossos clientes." O Banco PanAmericano também optou por esticar os prazos de pagamento dos empréstimos. Em janeiro, a instituição aumentou o prazo de 24 vezes para 36 vezes. Na análise do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, as instituições financeiras estão usando o argumento do Dia das Mães para mudar as condições de financiamento exatamente na linha de crédito que proporciona os maiores rendimentos. Pesquisa da Anefac de março revela que os juros mensais cobrados dos empréstimos pessoais de bancos e financeiras eram de 4,74% e 9,78%, respectivamente. Ribeiro de Oliveira ressalta que essa mudança, anunciada como transitória, veio para ficar. Com a competição acirrada entre bancos e financeiras, essas instituições decidiram alongar prazos, mesmo da linha de crédito considerada mais arriscada, porque o cenário macroeconômico é favorável. "O emprego formal está crescendo e a renda também. Além disso, a inadimplência está em queda", observa o vice-presidente da Anefac. Na sua opinião, mesmo a provável elevação da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 8,75% ao ano, que deve ser anunciada hoje pelo Banco Central, não deve mudar os planos das instituições financeiras. "A alta da Selic não será obstáculo para o alongamento dos prazos, já que o cenário macroeconômico é favorável." Com prazo mais longo, os bancos conseguem expandir a carteira e conquistar mais clientes. Estevão, do Santander, por exemplo, reforça essa tendência. Ele diz que, mesmo com a elevação da Selic, o banco pretende evitar qualquer tipo de repasse para o consumidor.

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