SÃO PAULO - Wilson Ferreira Junior, presidente da CPFL Energia, não esquecerá tão cedo o ano passado. Sob seu comando desde 2000, a holding - que reúne oito distribuidoras, uma comercializadora e ainda um parque de geração de 1,5 mil megawatts - alcançou o melhor desempenho financeiro já visto desde a criação da companhia nos anos 90, após ser privatizada pelo governo paulista. O grupo é o maior distribuidor privado do país, com mais de 13% de participação no chamado mercado cativo de energia.

No último trimestre de 2007, por exemplo, a CPFL Energia obteve uma receita líquida de R$ 2,6 bilhões e lucro líquido de R$ 373 milhões. E o resultado operacional (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações, o Lajida) no mesmo período do ano anterior foi de R$ 781 milhões.

Ao se fazer a comparação do desempenho, entre outubro e dezembro de 2006, o faturamento líquido da concessionária alcançou R$ 2,13 bilhões e o lucro líquido, R$ 345 milhões. Já o Lajida foi de R$ 684 milhões.

Os números de 2007 também mostram um expressivo aumento dos indicadores. A receita líquida, por exemplo, pulou de R$ 7,9 bilhões em 2006 para R$ 9,4 bilhões em 2007. O lucro líquido saltou de R$ 1,4 bilhão há dois anos para R$ 1,64 bilhão em 2007. O resultado operacional saiu de R$ 2,78 bilhões para R$ 3,34 bilhões.

O nosso resultado trimestral ou anual foi impactado para cima por dois fatores. O primeiro foi um crescimento de 12,4% no volume de venda de energia das nossas distribuidoras e o segundo refletiu o aumento do nosso parque gerador , afirmou o Ferreira Júnior ao Valor.

De fato, a CPFL incrementou sua capacidade geradora de um ano para o outro. Em 2006, por exemplo, tinha um parque de 1,072 mil megawatts (MW), que pulou para 1,5 mil MW em 2007. E, segundo o executivo, a previsão é que a empresa alcance perto de 1,73 mil MW neste ano.

A Brascan Corretora estimava uma receita líquida de R$ 2,4 bilhões, um lucro líquido de R$ 422 milhões e Lajida de R$ 868 milhões para o quarto trimestre de 2007. Segundo a corretora, caso suas projeções se tornassem realidade, o resultado deveria trazer impacto adverso às ações da empresa . A Brascan chamou atenção também para um eventual movimento de compra da Cia. Energética de São Paulo (Cesp) ou de Brasiliana, dona da distribuidora Eletropaulo e da geradora AES Tietê, por parte da CPFL, o que poderia causar perdas aos papéis da corporação. O mercado aponta a holding presidida por Ferreira Júnior como um dos fortes candidatos nestes processos de alienação.

Contudo, o presidente da CPFL Energia lembra que a relação entre dívida líquida e Lajida da companhia vem melhorando ano após ano. Em 2007, essa relação ficou em 1,53, pouco abaixo do 1,57 do exercício anterior. É bem diferente de 2002, quando o peso da elevada dívida da companhia levou a relação a 4,9 vezes.

Essa redução acontece também porque há um custo de dívida menor. Em 2005, era de 13,9%; caiu para 12,1% no ano passado , diz José Antonio Filippo, vice-presidente financeiro da CPFL. Segundo o executivo, o custo só diminuiu porque o grupo fez algumas operações, como a troca do índice de reajuste, deixando para trás o IGPM e adotando, por exemplo, o CDI.

O fato é que o resultado da holding melhorou muito, porque os segmentos comercial e residencial impulsionaram bastante as áreas das oito distribuidoras. Contabilizando os números dos ativos adquiridos da americana CMS no Brasil e da Santa Cruz, ambas feitas em 2007, a demanda da holding no segmento residencial subiu 13,5% e no comercial 12,5%. Só para se ter uma idéia de como isso é expressivo, a venda de energia no país cresceu 5,4% no ano passado.

(Maurício Capela | Valor Econômico)

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