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SÃO PAULO (Reuters) - A CPFL Energia tem interesse em se expandir e elevar sua escala, embora as notícias recentes sobre futuras aquisições por parte da empresa sejam apenas especulações, disse nesta terça-feira o presidente da companhia, Wilson Ferreira Júnior. Somos naturalmente um grande consolidador, disse o executivo em teleconferência com analistas e investidores para comentar os resultados da empresa no quarto trimestre e em 2009.

Segundo o presidente da CPFL Energia, a regulação do setor elétrico no Brasil acaba por comprimir as margens das empresas e uma alternativa para lidar com esse cenário é buscar um aumento de escala dos negócios.

"Há um processo especulativo que é natural. A companhia tem interesse (em aquisições) e fará na medida que tiver oportunidade", disse o executivo.

A Folha de S. Paulo publicou na segunda-feira que o BNDES financiaria a incorporação da Neoenergia e a compra da Brasiliana --holding controladora da Eletropaulo, AES Sul e AES Tietê-- pela CPFL Energia, controlada por Camargo Corrêa, criando uma gigante do setor de energia no país.

Sobre a possibilidade de a Camargo Correa fazer alguma aquisição no setor elétrico sem ser via CPFL, Ferreira Júnior afirmou que não existe nenhum impedimento nesse sentido. "Mas a Camargo Corrêa diz que o meio de movimentação no setor é a CPFL", lembrou.

Eventuais oportunidades de compra são preferencialmente no Brasil, apesar de alguns estudos fora do país, sobretudo na América Latina, terem sido feitos.

INVESTIMENTOS CRESCEM EM 2010

Ainda na teleconferência desta segunda-feira, o presidente da CPFL afirmou que a companhia investirá 1,7 bilhão de reais em 2010, um crescimento de 31 por cento em relação a 2009.

Do total, quase 1,1 bilhão de reais será destinado ao segmento de distribuição, principalmente em expansão e manutenção, enquanto 667 milhões de reais irão para geração.

Em distribuição, o plano da CPFL é de investir 4,6 bilhões de reais de 2010 e 2014. Para geração, o mesmo período deverá ter investimentos de 1,4 bilhão de reais.

O presidente da CPFL mencionou ainda que em março deverá entrar em operação a UTE Baldin, uma usina termelétrica movida a bagaço de cana. O investimento na usina, localizada no interior de São Paulo e que irá gerar 45 MW de energia, é de 98 milhões de reais.

Além disso, no terceiro trimestre deste ano entra em operação da hidrelétrica Foz do Chapecó, onde a CPFL tem 51 por cento de participação. Os investimentos feitos pela companhia nessa unidade foram de perto de 1,1 bilhão de reais.

Estão em construção as UTEs Termonordeste e Termoparaíba, que deverão entrar em operação também no terceiro trimestre, com investimentos estimados de 310 milhões de reais.

Além disso, neste mês terá início a construção da usina termelétrica Bioformada, com investimentos de 127 milhões de reais e entrada em operação prevista para julho de 2011.

No segmento de energia eólica, os parques da CPFL no Rio Grande do Norte começarão a ser construídos em agosto de 2010, e o início das operações está previsto para julho de 2012.

Sem dar mais detalhes, Ferreira Júnior afirmou que, "nos próximos dias", a CPFL anunciará um novo empreendimento no segmento de geração de energia.

(Por Carolina Marcondes)

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