Paula Gil San Francisco (EUA), 6 ago (EFE).- Alguns são estilistas, outros programadores e outros escritores, mas todos estão unidos por um mesmo motivo: cansados do isolamento e de trabalhar na solidão de suas casas decidiram compartilhar um escritório.

Trata-se do coworking, uma tendência cada vez mais popular nos Estados Unidos e que consiste em compartilhar o espaço de trabalho com outros profissionais, mesmo que não pertençam à mesma empresa e nem realizem tarefas parecidas.

Os locais de coworking estão ganhando adeptos à medida que cresce nos EUA o número de autônomos e o de pessoas que trabalham em casa.

Segundo as últimas informações fornecidas pelo escritório federal de estatística, entre 2000 e 2005 foram registradas mais 4 milhões de empresas compostas por apenas uma pessoa.

Paralelamente, o aumento do preço da gasolina está encorajando muitos trabalhadores dos EUA - onde é habitual viver a muitos quilômetros do escritório - a negociarem com suas empresas para poderem trabalhar parcialmente em casa.

Calcula-se que cerca de 26 milhões de americanos trabalham em seus domicílios pelo menos um dia por semana, o que equivale a 18% da população empregada no país.

Entretanto, ter o escritório a poucos metros do sofá também cansa. A falta de companheiros e de uma clara divisão entre o espaço de trabalho e lazer pode ser psicologicamente dura para muitas pessoas.

Uma solução simples e econômica é o coworking, e os locais que oferecem este serviço estão se multiplicando nas grandes cidades americanas.

Com tarifas que ficam em cerca dos US$ 250 por mês, estes lugares oferecem mesa, conexão de internet, café de graça e, o mais importante, a possibilidade de se relacionar com outros profissionais na mesma situação.

Por um pouco mais de dinheiro as pessoas podem usar outros serviços como salas de reuniões ou, inclusive, a possibilidade de ter mesa garantida ou acesso ao local a qualquer hora do dia.

Na Sandbox Suites, um dos muitos locais de San Francisco dedicados ao coworking, as tarifas variam de US$ 20 por dia para os visitantes esporádicos a até US$ 545 por mês para aqueles que querem dispor de uma escrivaninha própria e permanente.

"Desde que comecei a trabalhar aqui há cinco meses o número de visitantes não parou de crescer e não parece que a tendência vá mudar", declarou à Agência Efe Dominick Del Bosque, um dos responsáveis da Sandbox Suites e produtor de cinema independente.

Muitos dos clientes assíduos da Sandbox Suites costumavam trabalhar antes em cafés, mas, segundo Del Bosque, passaram para o coworking após a primeira visita ao local.

"Para começar, nós oferecemos conexão gratuita à internet e todos os serviços de um escritório, mas, sobretudo, aqui encontram proximidade com outros. Em um Starbucks ficará cercado de pessoas que não tem interesse algum no que você está fazendo", declarou.

Um dos freqüentadores da Sandbox Suites é David Pascual, um espanhol estabelecido em San Francisco que trabalha nesta cidade para o site de informação local YourStreet.com.

"Em nossa empresa estamos espalhados pelo mundo e aqui somos apenas dois", explica. "Para uma pequena companhia com interesse em fazer contatos é positivo ter um espaço no qual pode colaborar com mais pessoas e, além disso, é mais barato que alugar um escritório".

Como David Pascual, muitos visitantes habituais da Sandbox Suites têm ocupações ligadas à internet nas quais o lugar físico de trabalho é secundário, mas preferem se deslocarem até lá ao invés de ficarem em suas casas.

"Até certo ponto eu poderia trabalhar, inclusive, de Barcelona", reconhece, "mas estar aqui me oferece a possibilidade de ter um ambiente no qual seja possível me conectar a outros e fazer crescer um pouco o negócio". EFE pg/bm/fal

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