RIO DE JANEIRO (Reuters) - A economia brasileira ainda não está crescendo de forma acelerada, o que afasta a ameaça inflacionária, apesar da recuperação vista no final do ano passado, avaliou nesta quinta-feira o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho. O Produto Interno Bruto (PIB) avançou 2,0 por cento no quarto trimestre em relação ao terceiro e 4,3 por cento na comparação com o mesmo período de 2008, em linha com as projeções do mercado.

"Eu imagino que neste primeiro trimestre de 2010 a taxa do Brasil esteja próxima a 4,5 (por cento) e, portanto, ainda uma taxa de crescimento relativamente moderada, que permite uma certa seguraça para crescer e especialmente o crescimento continuar sendo liderado pelos investimentos", disse Coutinho à Reuters. "Isso permite controlar o hiato do produto."

Embora tenha destacado a melhora dos investimentos, Coutinho disse que o crescimento de 6,6 por cento da formação bruta de capital fixo no quarto trimestre em relação ao terceiro ficou abaixo do que ele esperava.

"O que tudo isso indica é que a economia brasileira não está ainda crescendo de forma tão acelerada como o mercado fica imaginando. Em 2010 teremos crescimento bastante bom, mas é preciso cautela antes de concluir e dizer que vai crescer 6 por cento."

Ele admitiu que existem pressões inflacionárias "sazonais", mas que os dados do IBGE mostraram que o crescimento está moderado e não inspira grande preocupação do ponto de vista estrutural. "Pelo número que nós temos, nos dá um pouco mais de conforto."

(Reportagem de Denise Luna)

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