A Cosan S/A, maior produtora de açúcar e álcool do mundo, anunciou ontem que vai fazer um aumento de capital de R$ 880 milhões para financiar seus investimentos. Além disso, a empresa anunciou a contratação de linhas de créditos comerciais no valor de até US$ 1 bilhão com o Bradesco e de até US$ 300 milhões com o Banco Calyon Brasil.

Em comunicado enviado ao mercado, a companhia disse que os recursos se destinam à construção da nova usina em Goiás, à expansão das unidades existentes, aos investimentos em co-geração de energia elétrica e à mecanização das lavouras.

Apesar da possível diluição de participação dos acionistas minoritários, que terão de investir novamente na empresa se não quiserem ver sua fatia diminuir, o anúncio foi bem recebido por analistas. "Essa era única opção da Cosan para financiar os seus projetos. A necessidade de capital da empresa é muito grande e ficou ainda mais elevada com a compra da Esso", disse Peter Ping Ho, analista da Planner Corretora.

Nos últimos tempos, pairava a dúvida no mercado de como a companhia financiaria os seus agressivos investimentos, principalmente após a compra, este ano, da distribuidora de combustíveis Esso por US$ 826 milhões, mais US$ 163 milhões em dívidas. Tanto que a discussão sobre a necessidade de caixa da Cosan permeou a última teleconferência sobre os resultados financeiros do grupo, realizada há duas semanas. "Havia essa preocupação no mercado, porque a Cosan precisava de muito dinheiro", disse um analista de um grande banco, que preferiu não se identificar.

Em teleconferência ontem, o vice-presidente financeiro e diretor de relações com investidores do grupo Cosan, Paulo Diniz, disse que, na hipótese de nenhum acionista minoritário subscrever o aumento de capital da Cosan S/A, a participação da controladora Cosan LTD na S/A passará de 62,8% para 71,88%. A Cosan S/A é listada na Bovespa, enquanto sua controladora, a Cosan LTD, tem seus papéis negociados em Nova York. Mas, segundo ele, o cenário traçado é de que a LTD apenas subscreva o número de ações proporcional à sua participação atual de 62,8% na S/A.

O executivo disse que, embora eventuais críticas possam existir, os controladores da Cosan "buscaram o melhor para a companhia e para os seus acionistas" com essa operação, dada a crise mundial nos mercados financeiros e os investimentos que têm a cumprir.

Ontem, no entanto, os papéis da empresa fecharam em queda de 5,12% na Bovespa. Para a SLW Corretora, a queda é explicada pela perspectiva de diluição dos minoritários. "Qual o atrativo para o investidor? Mais ações serão colocadas no mercado, e se o minoritário não subscrever sua participação, será diluído no capital da empresa", disseram os analistas da SLW. A Cosan já havia realizado, no início deste ano, uma operação de aumento de capital, na qual captou R$ 1,7 bilhão.

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