Publicidade
Publicidade - Super banner
enhanced by Google
 

Cortes na Vale já incluem demissões

MINAS GERAIS - A decisão da Vale de apertar o cinto por causa da crise internacional já inclui demissões no eixo Pará, Espírito Santo e Minas Gerais. Fontes que acompanham as atividades da mineradora calculam que cerca de 400 dos 2,3 mil funcionários que entraram em férias coletivas no final de outubro já foram dispensados.

Agência Estado |

A companhia não confirma oficialmente esses números, mas reconhece que está em curso um ajuste. "O quadro de funcionários está sofrendo um ajuste à redução da produção de minério de ferro em 30 milhões de toneladas", afirma Fernando Thompson, porta-voz da Vale. "Mas estamos tentando tudo que é possível para aproveitar funcionários de minas que foram desativadas em novos projetos."

Na tentativa de evitar um corte ainda mais expressivo, o presidente do Sindicato dos Ferroviários de Minas Gerais e Espírito Santo, João Batista Cavalieri, marcou audiência nesta sexta-feira com executivos da área de recursos humanos da Vale.

Atualmente, a mineradora tem em sua folha de pagamentos, no Brasil e no exterior, 56 mil funcionários. "Queremos buscar uma saída para essa crise. Estamos fazendo um esforço para ganhar tempo e ver se as coisas melhoram. A Vale tem uma responsabilidade com o País, com a manutenção do emprego", afirmou Cavalieri.

Na quarta-feira, em Brasília, o próprio presidente da mineradora, Roger Agnelli, admitiu que a companhia tem feito "ginástica" para evitar demissões após a decisão de cortar a produção em 30 milhões de toneladas de minério de ferro- 9,2% do total de 325 milhões de toneladas que estavam previstas para este ano.

"Até fevereiro ou março de 2009, o que a gente está fazendo é uma ginástica no sentido de manter os nossos empregados, porque sempre fizemos um investimento pesado na formação de nossos técnicos. Não é hora de perdê-los", afirmou. E completou: "Agora, isso tudo tem limite, e a gente está torcendo para que as coisas melhorem mais rapidamente."

A estratégia da Vale hoje é transferir os empregados das minas paralisadas para outras, que tenham custo de produção mais barato e, por isso, foram mantidas nesse período de desaceleração de atividades.

Mas, de acordo com Cavalieri, as demissões vêm afetando principalmente os trabalhadores da ferrovia Vitória-Minas. Isso porque, explica, houve uma queda no volume transportado pela estrada de ferro com o fechamento de algumas minas e o corte na produção de outras em Minas Gerais. "Acredito que entre 3,5% e 4% do pessoal já tenha sido demitido. Isso dá cerca de 100 pessoas somente nessa região", calcula.

Além das demissões, uma fonte conta que a companhia quer diminuir custos também por meio de renegociações com fornecedores e cortes de terceirizados. Com o desaquecimento econômico global, a Vale acredita que pode conseguir equipamentos a preços mais baratos para concluir seus projetos de expansão já anunciados.

Atualmente, o cenário é bem diferente do verificado até meados do ano, quando as companhias, mesmo pagando mais caro, estavam enfrentando muita dificuldade para conseguir equipamento e pessoal com experiência para tocar seus investimentos.

Leia tudo sobre: crise financeira

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG