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Fazenda e Planejamento vão reduzir orçamento de ministérios

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o reajuste de 7,7% a aposentados será compensado com cortes no orçamento federal. "Só sancionei a lei porque a Fazenda e o planejamento vão fazer cortes no orçamento", disse, durante inauguração da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), empreendimento de US$ 8,2 bilhões da alemã ThyssenKrupp e da Vale.

Lula disse que não quer dar "nenhum sinal de irresponsabilidade fiscal". Ele não especificou onde serão feitos os cortes orçamentários, mas adiantou que há espaço para reduzir a verba de ministérios. Emendas de parlamentares também estão na mira.

"Já que eles aprovaram, então têm que pagar um pouco também do aumento que nós estamos dando. Vamos cortar dos Ministérios, porque nesse momento eu não quero dar nenhum sinal de irresponsabilidade. Eu estou deixando a Presidência e quero entregar o país mais preparado do que eu encontrei, para que este país não sofra retrocesso, como historicamente nós sofremos", afirmou.

O presidente já tinha afirmado nesta semana que foi informado pela sua equipe econômica que o aumento do consumo dos beneficiados pelo aumento da aposentadoria seria capaz de recuperar parte da despesa do governo, por meio de impostos arrecadados pela União. Ele lembrou que proposta do governo, de 6,14%, era menor do que a aprovada pelo Senado.

Lula: Alemanha perdeu da Sérvia mas continua sendo candidata ao título
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Lula: Alemanha perdeu da Sérvia mas continua sendo candidata ao título

"O Brasil durante muito tempo achou que pudesse dar um jeitinho em tudo, pensava que essa cultura da malandragem, que esse jeitinho, era bom para o País. Mas quando se faz negócio com outro estado, com investidores, a coisa muda", disse hoje, durante a cerimônia, lembrando que teve de promover superávit primário para livrar o País de dificuldades com a balança de pagamentos no começo do seu primeiro mandato, em 2003. "Se eu não tivesse feito superávit primário, não teria dado prova de confiança (...). Não tínhamos dinheiro, nem para pagar as importações", acrescentou.

Lula destacou ainda que o Brasil foi o último a entrar e primeiro país a sair da crise e o setor siderúrgico é prova disso, assim como a indústria de eletrodoméstico e automóveis, que fazem parte da mesma cadeia produtiva. "Se a ThyssenKrupp achar que eu não sou sério, não me respeitará", disse, para a plateia composta por governantes, empresários e os milhares de trabalhadores contratados pela CSA.

A CSA é dividida em duas linhas de produção, cada uma com capacidade instalada de 2,5 milhões de toneladas de placas de aço anuais
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A CSA é dividida em duas linhas de produção, cada uma com capacidade instalada de 2,5 milhões de toneladas de placas de aço anuais

Mas foi no mesmo evento, na presença do CEO da ThyssenKrupp, o alemão Ekkerhard Schulz, que Lula deu puxão de orelha nos europeus por causa da crise financeira. "Se a Europa inteira não tivesse demorado a colocar dinheiro na Grécia, não precisaria passar por isso", afirmou. a Alemanha é um dos países criticados pela postura inflexível com países mais pobres da União Europeia. 

"Argentina maravilhosa até enfrentar o Brasil"

 Ao falar sobre os jogos da Copa do Mundo, Lula também citou a Alemanha em outra saia justa, lembrando que a poderosa seleção alemã perdeu o jogo para a Sérvia. Mas a derrota não elimina a chance do país ao título de campeã, segundo ele. O Brasil também está no pareo, defendeu Lula.

"Houve um tempo em que a gente vivia em uma maré de descrença tão grande, era uma energia negativa tão grande, que mesmo que as coisas estivessem para acontecer, não aconteciam, porque não há nação, por maior que seja, que aguente uma energia negativa (...). Eu ainda hoje vejo, da Seleção brasileira, as pessoas pensarem assim", lamentou, para apoiar a seleção de Dunga em seguida.

"Então, 60% das Copas ganhas, em 80 anos, foram para Brasil, Itália e Alemanha. Não é porque perdeu um jogo ou ganhou um jogo. Ah, mas a Argentina está maravilhosa” – até enfrentar o Brasil, até enfrentar o Brasil", concluiu.  

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