SÃO PAULO - A rapidez e profundidade dos efeitos da crise levaram a indústria paulista a fazer em dezembro o maior corte de emprego já visto desde 1994, quando começou a série histórica do indicador da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Foram fechadas 130 mil vagas, o que acabou levando o setor a fechar o ano de 2008 com variação negativa de 0,27% no nível de emprego, com baixa de 7 mil postos na indústria de São Paulo.

O resultado surpreendeu a Fiesp, que previa antes uma alta de cerca de 2% neste indicador para 2008. "Apesar de não termos dúvidas de que a crise chegaria ao Brasil, a crise vivenciada foi maior do que a esperada", diz Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da Fiesp.

Segundo ele, a deterioração do cenário levou a uma "queda prematura" do emprego. Em outras situações de crise, o normal seria uma adequação da produção por parte da indústria por um período de quatro meses e, só depois, quando desfeita a incerteza sobre o futuro, o setor partiria para o enxugamento da folha de pagamentos.

"Agora (nesta crise) não há dúvida, sabe-se que o futuro será pior do que o presente", diz o dirigente, reforçando que este ano será pior do que 2008. "Temos certeza."
Todos os 21 segmentos pesquisados pela Fiesp na indústria paulista fecharam postos de trabalho, feito que não era notado desde junho de 2006, quando esse parâmetro de pesquisa foi adotado pela entidade. O mesmo comportamento foi notado no levantamento por região: todas as 36 diretorias regionais da indústria de São Paulo registraram queda no nível de emprego.

Vale notar que a indústria sucroalcooleira teve grande peso no resultado total, tanto no mês, quando respondeu por 61% das demissões, quanto no ano, período em que 62% do fechamento de vagas foi anotado neste segmento, o que representa 79.248 postos a menos.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

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