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Ribeirão Preto, 15 - Cortadores de cana do Grupo Santelisa Vale realizam hoje uma assembléia em Morro Agudo (SP) para decidirem pelo fim, ou não, da greve que dura mais de uma semana nas lavouras de duas unidades da companhia: a MB e a Continental. Após uma reunião no Ministério Público de Ribeirão Preto (SP), ontem à noite, a empresa ofereceu um reajuste de 12,38% sobre o piso de 30 de abril e sobre o adicional pago por tonelada de cana cortada.

O Grupo Santelisa Vale já havia concedido 7% de adiantamento salarial em maio. Caso aceitem a proposta, o salário mínimo dos cortadores da empresa chegaria a R$ 500 em 1º de agosto, ante R$ 444,91 em abril, e a tonelada da cana iria variar de R$ 3,1342 para o primeiro corte a R$ 2,9720 para os outros cortes. Um ciclo na lavoura de cana normalmente tem entre cinco e sete cortes. Cerca de 4 mil trabalhadores estão parados em várias frentes de trabalho, de acordo com a advogada Olga Maria Melzi, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bebedouro (SP), que negocia o acordo.

Segundo ela, a proposta negociada entre a companhia e os trabalhadores inclui ainda a criação de uma comissão com representantes de ambos os lados para até o final da safra 2008/2009, em dezembro, elaborar estudo que definirá adicionais pagos aos trabalhadores para compensar a perda de produção dependendo do grau de dificuldade do corte e do grau de exigência da empresa.

A empresa se comprometeu ainda, enquanto seguirem as negociações, a não tomar atos de represália contra os trabalhadores, pagar os dias parados e restabelecer os convênios médicos e de farmácia suspensos. Já os trabalhadores se comprometeram a não fazerem mais greves. O Grupo Santelisa Vale não se manifestou ainda.