O título do texto enviado anteriormente contém um erro. Os países ricos vão crescer 2,3% em 2010, e não 3,2% como descrito antes no título.

O título do texto enviado anteriormente contém um erro. Os países ricos vão crescer 2,3% em 2010, e não 3,2% como descrito antes no título. Segue o texto corrigido.

As economias do mundo rico, que encolheram 3,2% em 2009, vão crescer 2,3% em 2010, de acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI). O órgão também estimou que o desemprego nesses países ainda aumentará para 8,4% e, só no próximo ano, voltará ao nível de 2009, com 8%. Apesar desse desempenho fraco, o principal desafio para os países desenvolvidos será "obviamente a consolidação fiscal", disse hoje o economista chefe da instituição, Olivier Blanchard.

Há um ano, lembrou ele, o risco era de um colapso na demanda privada e de uma nova "Grande Depressão". Por isso, a prioridade era implementar programas de estímulo fiscal e evitar a catástrofe. "Isso nós fizemos." Um ano depois, a perda de receita ameaça levar a uma explosão da dívida pública, advertiu.

Apesar de tudo, a recuperação global é melhor que a esperada, segundo Blanchard. A projeção de crescimento passou de 3,9% em janeiro para 4,2% neste ano. Para 2011 foi estimada uma expansão de 4,3%. As economias emergentes e as desenvolvidas avançarão, no entanto, em ritmos muito diferentes.

Alta dos emergentes

Países emergentes e em desenvolvimento deverão crescer 6,3% em 2010 e 6,5% em 2011, liderados pela China, com expansão prevista de 10% neste ano e de 9,9% no seguinte. Nas principais economias emergentes da Ásia, a produção já ultrapassa amplamente os níveis anteriores à crise. O problema, em alguns desses países, é o ritmo excessivo da atividade.

O banco central da China já tomou medidas para conter o ritmo dos empréstimos, por causa do superaquecimento de alguns mercados, como o imobiliário. Nos países emergentes e em desenvolvimento, o crescimento rápido e os juros elevados atraem grandes volumes de capital. O grande problema, nesses países, é encontrar os melhores meios de acomodar esse dinheiro, decidir quanta valorização cambial será admitida e como usar os instrumentos de política econômica para evitar excessos e manter a expansão econômica, observou Blanchard.

Para arrumar suas contas, os governos do mundo rico terão de reduzir os estímulos. Haverá menor sustentação interna para o crescimento. Os emergentes poderão oferecer a solução, segundo Blanchard, estimulando o consumo, dando menor ênfase à exportação e importando mais dos países avançados. O recado vale principalmente para Estados Unidos e China, mas a troca de papeis poderá envolver também outros países.

Ajuste fiscal

Para compensar os efeitos do ajuste fiscal, "os países avançados, como um todo, poderão ter de depreciar suas moedas para aumentar as exportações líquidas", disse Blanchard. Em contrapartida, os países emergentes e em desenvolvimento, "também como um todo", deverão fazer o contrário: deixar valorizar-se as suas moedas e reduzir suas exportações líquidas".

Resta convencer esses países, "como um todo", a aceitar essa política. Mas o economista-chefe do FMI sustenta sua posição: "Fazer isso é do interesse global desses países, porque esse ajuste pode ser necessário para sustentar o crescimento nos países avançados e, por consequência, um crescimento forte no resto do mundo".

No caso da China, a mudança das exportações para o mercado interno exigirá medidas estruturais para redução da poupança e uma valorização da moeda. Tudo isso, segundo Blanchard, "parece altamente desejável em si". O governo chinês talvez concorde, mas, até agora, insiste em promover as mudanças, especialmente no câmbio, segundo seu ritmo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.