Uma mistura explosiva de uma presidência enfraquecida, de vida política conturbada por uma dura batalha pela Casa Branca e a proximidade das eleições é o principal entrave da adoção do plano de resgate do sistema financeiro americano.

Nesta terça-feira, o presidente americano, George W. Bush, pediu pela 12ª vez em 13 dias a adoção do plano de resgate dos bancos pelo Congresso. Apelos que foram em vão até agora, ilustrando sua impotência para reunir consigo o país e sua maioria.

A rejeição inesperada do plano do secretário do Tesouro, Henry Paulson, pela Câmara dos representantes por 228 votos contra 205 provocou segunda-feira uma queda histórica no Wall Street e em vários mercados. No entanto, a Bolsa de Nova York subia nesta terça-feira, com os mercados otimistas ainda sobre a aprovação do plano, de 700 bilhões de dólares.

Na Câmara, os democratas criticaram a incapacidade dos chefes de fila republicanos, favoráveis ao plano, a controlar suas tropas. Aproximadamente dois terços dos representantes republicanos votaram contra o plano.

"Esta é a prova da falta de credibilidade de Bush", destacou o representante democrata Jim Moran.

Os conservadores republicanos que votaram "não" explicaram que eles se negaram a dar um cheque em branco ao "Rei Henry", o secretário autor do plano de resgate, que, para eles, confiscaria as liberdades fundamentais, já presas no barco de um governo dotado de plenos poderes.

De fato, muitos deputados republicanos de circunscrições conservadoras rejeitaram o projeto de lei sob a pressão de seus eleitores, ferrenhamente contrários ao plano.

No campo dos democratas, os deputados apoiaram em sua maioria o plano. Os que foram contra pediam que o plano não salvasse apenas Wall Street, mas também os assalariados americanos e proprietários de casas em dificuldades.

Neste caso, também, as motivações eleitorais pesaram muito na balança. Segundo uma pesquisa Rasmussen publicada na segunda-feira, 33% dos americanos apóiam o plano, 32% são contra e 35% são indecisos. Somente 24% deles apoiavam o projeto semana passada.

O fracasso do voto na Câmara gerou uma onda de choque na campanha presidencial.

O candidato republicano, John McCain, se envolveu profundamente semana passada nas negociações, suspendendo sua campanha, encontrando os irredutíveis de seu partido em Washington. Resultado: ele conseguiu irritar muito dos deputados republicanos e fracassou na tentativa de aprovar o plano.

Diante desta situação, seus adversários democratas questionam a "credibilidade" política de McCain e identificar os que, segundo ele, realizaram durante oito anos uma política econômica desastrosa na Casa Branca.

John McCain destacou, ao contrário, que sua atitude decidida diante da crise financeira é uma prévia da maneira como dirigiria o país.

"Alguns criticaram meus atos, mas não serei nunca o presidente que fica no seu canto", declarou.

Em contrapartida, os eleitores de seu rival Barack Obama comemoraram a prudência de seu campeão que evitou adotar uma posição, correndo o risco de desgastar sua credibilidade e perder uma parte de seu eleitorado.

Enquanto isso, o suspense continua. A nova votação não deve acontecer antes de quinta-feira, porque o Congresso suspendeu os trabalhos até lá por causa do Ano Novo judeu.

col/lm

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