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Copom: votos divergentes citaram deterioração global

A ata da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje pelo Banco Central (BC), mostra que o placar divergente - cinco votos para alta de 0,75 ponto porcentual e três para aumento de 0,50 ponto porcentual no juro básico do País - levou em conta o cenário externo e seu impacto sobre os preços no Brasil. A parte do comitê que votou por uma alta menor da taxa básica de juros, a Selic, argumentou que desde julho acumularam-se sinais de acentuada deterioração da atividade nas economias centrais.

Agência Estado |

Na avaliação desses diretores do Banco Central, esse cenário gera "certa melhora nas perspectivas inflacionárias globais", movimento influenciado em parte pela queda dos preços das matérias-primas (commodities) lá fora.

Na avaliação desse grupo de diretores, o ambiente externo "teria possíveis impactos contracionistas, inclusive por meio dos desdobramentos da desalavancagem financeira sobre as condições creditícias".

Além desse impacto de arrefecimento da atividade, há a justificativa de que é preciso somar ao quadro "os efeitos defasados da política monetária sobre a atividade econômica no País, com implicações para o cenário inflacionário prospectivo". Por essa conjuntura, parte do comitê, segundo a ata, considerou que seria "mais apropriado já neste momento, elevar a taxa básica em 0,50 ponto porcentual".

Apesar dessa opinião dos três diretores favoráveis à elevação menor da Selic, o documento observa que a maioria do comitê considerou que no atual cenário "em que pese a deterioração das perspectivas para o crescimento econômico mundial, os riscos para a materialização de um cenário inflacionário benigno no País não apresentaram ainda melhora suficientemente convincente".

A avaliação dos cinco votos que optaram pela elevação de 0,75 ponto é que "não se acumularam até o momento sinais consistentes de redução do descompasso entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta". Segundo o grupo, isso fica evidenciado com o uso intenso dos fatores produtivos da economia. Os cincos diretores também argumentaram que a ancoragem das expectativas de inflação à trajetória das metas "precisaria ser reforçada". Todos esses argumentos, citados no documento, embasaram a decisão do grupo que optou por manter o ritmo do aperto monetário e elevar a Selic para 13,75% ao ano.

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