O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, destacou, na ata da última reunião, realizada na semana passada, que há margem para um processo de redução da taxa básica de juros brasileira, a Selic, diante do desaquecimento da demanda. Porém, o Comitê afirma que o processo de flexibilização dos juros dever ser cauteloso.

Segundo o BC, a avaliação sobre reduções adicionais no juro básico deve levar em conta o fato de ter havido um longo período de inflação elevada no Brasil. "A despeito de haver margem para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas."

Para explicar a redução de 1,5 ponto porcentual da taxa Selic, que caiu de 12,75% para 11,25% anuais na semana passada, os membros do Copom destacam na ata que o desaquecimento da demanda devido ao aperto das condições financeiras criou importante margem de ociosidade dos "fatores de produção". De acordo com o BC, esse processo deve contribuir para conter a pressão da inflação e exercer menor pressão sobre serviços.

Meta

Com o cenário de desaquecimento da demanda, o Banco Central destacou, na ata, que foi ampliada a perspectiva de o índice oficial de inflação no País, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), voltar ao centro da meta de inflação, de 4,5% para este ano, conforme determinação do Conselho Monetário Nacional (CMN). "Continuaram ampliando-se de forma importante as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente para a trajetória de metas", diz o documento, divulgado hoje.

Segundo o documento, esse espaço aumentou devido aos sinais de arrefecimento do ritmo de atividade econômica, entre eles, os indicadores de produção industrial, dados de mercado de trabalho, taxas de utilização da capacidade da indústria e informações sobre confiança de empresários e consumidores.

Ainda segundo o Copom, todas as projeções para a inflação medida pelo IPCA para 2009 e 2010 recuaram para um nível abaixo do centro da meta, devido ao desaquecimento da economia. A meta de inflação fixada pelo CMN para 2010 também é de 4,5%.

Segundo o Copom, a queda das projeções foi verificada nos cenários de referência (que leva em consideração uma taxa de câmbio de R$ 2,40 e da taxa Selic de 12,75%, que vigoravam no momento da reunião do Copom) e de mercado (que leva em consideração as projeções de taxas de juros e de câmbio do mercado apurados pela pesquisa Focus).

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