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Copom se reúne sob perspectiva de nova pressão inflacionária

Apesar de sinalizar fim do ciclo de ajuste monetário, Banco Central pode manter alta dos juros no encontro desta semana

Klinger Portella e Ilton Caldeira, iG São Paulo |

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reúne-se nesta semana, na terça e na quarta-feira, para definir os rumos da taxa básica de juros (Selic). Grande parte dos analistas de mercado espera o fim do ciclo de alta, já sinalizado na ata do último encontro. No entanto, sinais de aquecimento do mercado de trabalho e o aumento da renda média da população podem pressionar os preços e fazer com que a autoridade monetária mantenha o ritmo de elevação dos juros.

Nos últimos três encontros, o Copom elevou a Selic de 8,75% para 10,75% ao ano. Após a última reunião, em julho, havia praticamente um consenso no mercado de que a alta de 0,5 ponto colocava um fim ao movimento de elevação dos juros.

Para Tatiana Pinheiro, economista do banco Santander, o ciclo de elevação da taxa básica de juros chegou ao fim e a Selic deve encerrar 2010 em 10,75% ao ano. “Na última reunião do Copom, o Banco Central diminui o tamanho do aperto e houve uma avaliação mais benigna do cenário de inflação. O BC indicou que de acordo com os modelos utilizados pela instituição a inflação estimada para 2011 e 2012 está dentro da meta estipulada de 4,5%”, avalia.

O movimento dos juros

Confira a variação da taxa básica de juros (Selic) nos últimos encontros do Copom

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Fonte: Banco Central


Segundo ela, a queda no desemprego e a elevação da renda média da população verificada nos últimos meses não devem influenciar a ponto de o BC elevar novamente a taxa de juros. “O mercado de trabalho vem apresentando um ritmo forte desde o fim de 2009. Na última reunião do Copom, os dados já mostravam um ganho de renda da população e o BC optou por uma elevação de 0,50 ponto percentual ao invés de 0,75 como vinha acontecendo. A antecipação do consumo, principalmente de carros e bens de consumo duráveis, no primeiro trimestre e o comportamento estável do IPCA embasam a avaliação do BC no sentido de manter a taxa de juros”, avalia a economista do Santander.

Em relatório, a Ativa Corretora destaca que a autoridade monetária deve considerar o movimento de desaceleração inflacionária como justificativa para a manutenção da taxa de juros nos níveis atuais, embora, na avliação da corretora, o ideal seria uma alta de 0,5 ponto.

"Apesar de acreditarmos que a medida mais apropriada seria uma alta de juros nesse momento, entendemos que o BCB está com uma análise de que a desaceleração inflacionária é mais do que temporária", disse o relatório da Ativa. "Entendemos que os últimos indicadores de inflação de fato podem ser interpretados como tal e, portanto, acreditamos que esse será o posicionamento do BCB."

Segundo a corretora, o Banco Central deve manter os juros para avaliar os impactos da política monetária e, provavelmente, a Selic não deixará a casa dos 10,75% até o fim do ano, "a não ser que o nosso cenário de deterioração inflacionária se materialize de forma mais intensa".

Alertas

Há um grupo de analistas que acredita que o fim do ciclo de alta dos juros poderia comprometer o desempenho da economia em 2011. Segundo Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings,a defesa pela manutenção dos juros no encontro desta semana está na boca de quem “olha pelo retrovisor da economia”. “A política monetária tem que olhar para frente e não para o que acontece agora”, diz.

Agostini acredita que o ideal é uma alta de 0,5 ponto neste mês na Selic para, então, dar fim ao ciclo de elevação dos juros em 2010. Ele defende que, no ano que vem, embora o cenário ainda seja incerto, há uma tendência de aquecimento da atividade. No mais, o economista acredita que o segundo semestre deste ano será marcado por níveis recordes de emprego.

A visão é compartilhada por André Perfeito, economista da Gradual Investimentos. Ele diz que os recentes dados de renda e emprego acendem o sinal de alerta no Banco Central. “Esse é um dos motivos que nos faz crer que o colegiado do Copom vai patrocinar mais uma alta de 0,5 ponto na Selic, fazendo esta sair de 10,75% a 11,25%”, disse em relatório.

“Informações sobre a evolução dos salários, na margem, sustentam o quadro de um mercado de trabalho apertado e sugerem aumento forte do rendimento da população ocupada nos meses subsequentes. Esse quadro fortalece as perspectivas de elevado crescimento do consumo na segunda metade deste ano”, segundo o economista Aurélio Bicalho, do Itaú-Unibanco, destaca em relatório. As projeções do banco apontam que a taxa Selic deve encerrar o ano em 11,25%, com uma alta de 0,5 ponto percentual em dezembro, na última reunião do Copom em 2010.

PIB

Outro evento importante na agenda desta semana é a divulgação do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre, previsto para sexta-feira. Na avaliação do Santander, o indicador vai mostrar uma desaceleração relevante quando comparado com o resultado expressivo de 2,7% de crescimento verificado de janeiro a março.

O banco projeta um PIB de 0,9% para o período de abril a junho, com um crescimento de 8% frente ao mesmo período em 2009. Segundo Tatiana Pinheiro, economista do Santander, esse desempenho é menor que o do trimestre anterior, mas se dá sobre uma base de crescimento forte verificada no início do ano.

“A antecipação das compras causou uma ressaca no varejo no segundo trimestre. Com a Copa do Mundo e o início das férias houve um deslocamento na demanda de consumo para fora dos grandes centros, que são a base para a medição dos dados estatísticos”, diz Tatiana.

No entanto, segundo a economista do Santander, esse comportamento não deve se repetir nos próximos trimestres, que devem apresentar crescimento do PIB acima de 1%, contribuindo para que o PIB encerre 2010 com alta de 7,8%, segundo as projeções do banco.

Alex Agostini, da Austin Ratings, diz que a tendência é de expansão em um ritmo mais equilibrado nos próximos trimestres. “A atividade econômica ajustou para ganhar fôlego para o segundo semestre”, afirmou. Para ele, nos seis primeiros meses do ano, o crescimento anual do PIB ficou na casa dos 6%, 7%.

“A retirada dos estímulos fiscais desacelerou o ímpeto da economia, mas ainda devemos ter um movimento de alta”, disse. 

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