A decisão do Copom de manter a taxa Selic em 8,75% não surpreendeu o mercado, que já estava dividido quanto ao início do ciclo de aperto monetário. Como em outras ocasiões, houve críticas e elogios à decisão.

Para a economista-chefe do ING Bank, Zeina Latif, a manutenção da Selic não traz benefício à economia neste momento em que se observa um processo de deterioração das expectativas de inflação e de transição na diretoria do Banco Central. "Preferia que o BC já tivesse começado a elevar o juro agora, tendo em vista o aumento da inflação."
De qualquer forma, segundo ela, ficam claros os próximos passos do Copom. O trecho do comunicado que se seguiu ao término da reunião que diz "o comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária", além da divisão dos votos (5 a 3) são uma clara indicação de que a taxa de juros começará a subir em abril.

Na opinião do economista-chefe do banco ABC Brasil, Luiz Otávio de Souza Leal, o BC corre o risco de ficar "atrás da curva" até a reunião de abril. Ele observa que vinha crescendo entre profissionais a expectativa de alta de juros na reunião de hoje, especialmente depois que o PIB do quarto trimestre de 2009 e as vendas no varejo de janeiro mostraram forte crescimento na margem. Para ele, o fato de o placar do Copom ter sido dividido, solidifica a ideia de que a alta dos juros começará em abril.

O presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Paulo Godoy, elogiou a decisão, mas ponderou que os juros reais do País continuam entre os maiores do mundo, o que prejudica o crescimento e os investimentos.

Tanto o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, quanto o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), Abram Szajman, classificaram como "adequada" a decisão. Adjetivo semelhante - "acertada" - foi usado pelo presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto.

Já a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo disse, em nota, que prevaleceu o bom senso: "É uma demonstração de respeito à produção, ao crescimento, ao emprego e, acima de tudo, ao Brasil". As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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