O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) interrompeu a sequência de altas na Selic, taxa básica de juros da economia, e a manteve em 13,75% ao ano na reunião que terminou nesta quarta-feira. A decisão foi unânime.

A justificativa do comitê foi a seguinte: "Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de risco para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés."

O Copom havia elevado a taxa em 0,75 ponto porcentual nas duas últimas reuniões e em 0,5 ponto nas duas anteriores.

Na opinião do economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio e professor do Ibmec Carlos Thadeu de Freitas, o Copom optou por dar uma trégua ao mercado e esperar para ver como a crise financeira se desenrola enquanto não tem muitas informações sobre como a economia mundial vai reagir nos próximos meses.

Foi uma decisão fácil. O BC é como um navio no meio de um nevoeiro: como ele não enxerga muito à frente, não pode fazer nada, avalia Freitas, ex-diretor do BC.

Para o economista da Gradual Corretora e colunista do iG André Perfeito, o BC reduziu sua preocupação com a escalada da inflação ¿ que levou aos últimos aumentos na Selic ¿ porque a própria recessão mundial já vem reduzindo o descompasso entre oferta e demanda, que pressionava os preços. A preocupação, agora, é com a restrição de crédito, que vem sendo causada pela crise mundial, afirma.

Freitas acrescenta que a restrição de crédito tem forte efeito sobre o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro: quanto menos dinheiro disponível, menos o País vai crescer no ano. Nos últimos dias, a pressão sobre o dólar foi menor e a moeda registrou quedas, o que ajudou na decisão do Copom, avalia.

Segundo ele, a recente disparada da moeda americana poderia ser um motivo para que o BC seguisse aumentando a taxa básica.

Ele afirma que, na próxima reunião, o cenário mundial já vai ser mais claro. O Copom vai ter mais informações sobre o andamento da crise, o comportamento do dólar e a situação do crédito no País e vai ter mais clareza para decidir sobre a Selic, analisa.

(Com informações do Valor Online)

Leia mais sobre juros

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.