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Copom mantém os juros em 13,75%

Na mais longa reunião desde março de 2006, o Banco Central decidiu ontem manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano. Após quatro horas de discussão, a decisão foi unânime, mas a maioria dos diretores do BC discutiu a possibilidade de reduzir a Selic, segundo nota distribuída pelo BC no fim do encontro.

Agência Estado |

O fato de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter informado que essa discussão existiu vai funcionar, na prática, como um "viés informal de baixa" para o mercado.

No comunicado distribuído após o encontro, o Copom informa que o grupo decidiu "ainda manter a taxa Selic, sem viés, neste momento". O comitê observa que o ambiente macroeconômico "continua cercado por grande incerteza". Diante desse quadro, o BC diz que vai "monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação". Esse acompanhamento tem como objetivo, diz o texto, "definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária".

Segundo um integrante da equipe econômica, a decisão foi recebida pelo Ministério da Fazenda com "surpresa zero", mas teria sido melhor se viesse acompanhada de um viés de queda. Porém, a fonte considerou positivo o texto do comunicado, observando que o presidente do BC, Henrique Meirelles, e diretores da instituição já haviam dado sinais, nas últimas semanas, de que a taxa básica de juros seria mantida.

Nas últimas semanas, o BC esteve sob forte pressão de empresários, trabalhadores e de setores do próprio governo para que reduzisse os juros, como forma de combater os efeitos da crise. Sem contestar a autoridade do BC na administração da política monetária, o Ministério da Fazenda fez saber que esperava que o BC sinalizasse que os juros poderiam começar a cair. O comunicado de ontem tenta transmitir essa expectativa.

Ainda ontem, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo reforçava a avaliação. "O Copom está reunido e eles darão algum sinal. Eu não quero dar nenhum sinal agora", disse, esquivando-se de comentar a decisão. Segundo Bernardo, o BC tem feito excelente trabalho.

Nos últimos dias, a decisão que seria tomada ontem pelo BC foi bastante discutida no governo. De um lado, o Palácio do Planalto e parte da equipe econômica defendiam a redução imediata para amenizar os efeitos da crise global. Com a forte pressão, circularam rumores de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria pedido o corte do juro a Meirelles. Em resposta, a autoridade monetária manteve o discurso de que a inflação ainda deve ser acompanhada com cuidado e a alta do dólar nos últimos meses renovou a preocupação.

No início da semana, no auge dessa queda-de-braço, foram ouvidos até boatos sobre a hipótese de que Meirelles teria de deixar o cargo se não cortasse a Selic. A boataria ainda dava conta de que, insatisfeito com a situação, um dos diretores do BC teria ameaçado pedir demissão. A ata da reunião do Copom será divulgada no dia 18.

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