O Comitê de Política Monetária (Copom) avalia que a há sinais cada vez mais fortes que apontam para a desaceleração da economia mundial. Na ata da última reunião do comitê, divulgada hoje, os diretores do Banco Central (BC) avaliam que a perspectiva de desaceleração mais generalizada da atividade global ao longo dos próximos meses está aparentemente se consolidando.

Na avaliação do BC, esse arrefecimento da atividade "aponta para uma acomodação tanto dos preços de commodities (matérias-primas) quanto da demanda externa". Esse quadro pode, na avaliação dos diretores, "também influenciar as condições financeiras locais" e "continua sendo central na avaliação das diferentes possibilidades que se apresentam para a política monetária". O documento observa que "essa tendência de desaquecimento tem ocasionado aumento da aversão ao risco". Um desses impactos é a alteração da demanda por ativos brasileiros, o que "ocasiona depreciação de seus preços".

Na avaliação dos diretores do BC, esse quadro de redução dos preços dos ativos brasileiros poderia gerar "redução adicional das exportações líquidas" do Brasil. Isso poderia gerar "efeito similar sobre o comportamento dos preços de certos ativos brasileiros", completa o documento.

Ainda sobre o cenário global, o comitê avalia que a trajetória dos índices de preços "ainda evidencia a presença de descompassos entre o crescimento da oferta e da demanda". Isso gera, segundo o BC, "riscos inflacionários significativos, em diversas economias". O texto admite, porém, que a intensidade desses riscos é "possivelmente menor do que em meados do ano".

"Diante da deterioração ocorrida nos últimos meses nas perspectivas para a inflação, em ambiente de maior incerteza, o Comitê avalia que o risco de materialização de um cenário inflacionário menos benigno segue elevado", completa o documento. O texto também repete a avaliação de que o desafio da política monetária passa por impedir que alta de preços inicialmente localizadas "não levem, por meio de uma piora das expectativas, a uma deterioração persistente da dinâmica inflacionária".

Vale lembrar que a ata do Copom foi concluída na quarta-feira da semana passada (dia 10), antes da forte deterioração das condições do mercado externo, após a derrocada do setor financeiro dos Estados Unidos no início desta semana, com foco no banco de investimentos Lehman Brothers e na seguradora AIG, e as conseqüências desses fatos sobre as condições do mercado mundial. Entretanto, no documento, o Copom cita que a ação do Tesouro dos Estados Unidos feita nas agências hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac para socorrer ambas, anunciada na semana passada, não foi suficiente para conter a crise.

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