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Copom aumenta o ritmo e leva a Selic para 13%

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) seguiu na política de combate à inflação e voltou a aumentar a Selic, taxa básica da economia em 0,75 ponto porcentual na reunião que terminou nesta quarta-feira. Com a decisão, a taxa fica em 13% ao ano. Este foi o terceiro aumento seguido da Selic ¿ nas duas últimas reuniões, o Copom havia elevado o indicador em 0,5 ponto porcentual a cada reunião.

Mariana Sant Anna, do Último Segundo |


Na opinião do analista e economista da corretora Intra Marcelo Faro, o aumento de 0,75 ponto porcentual nos juros é excessivo, e pode causar reação ruim do mercado. Como a expectativa geral era de que o aumento fosse de 0,5%, a decisão do Copom pode dar a sensação de que o Banco Central tem informações sobre a inflação que o mercado desconhece, diz o economista.

O economista-chefe da consultoria Up Trend Jason Vieira concorda. Segundo ele, um aumento de 0,75 ponto porcentual na Selic é exagerado e pode causar retração na economia. No afã de tentar reduzir a inflação, o Banco Central pode acabar prejudicando o crescimento e afetar a confiança do mercado, opina.

Faro acredita que o aumento gradual dos juros demonstra uma atuação responsável do BC, já que grande parte da inflação é causada pelo aumento no preço dos alimentos, e não pelo aumento da demanda interna. A economia brasileira é muito sensível ao aumento de juros. Um aumento mais alto na Selic poderia causar um desaquecimento brusco da economia, afirma o economista.

Para Vieira, apesar de a pressão inflacionária não vir da demanda interna, o BC não pode ser passivo em relação ao aumento de preços, e por isso o aumento na Selic é correto. O componente de demanda na inflação é muito pequeno, mas o Banco Central tem de mostrar ao mercado que está atento, acredita.

Para o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel de Oliveira, a Selic não conseguirá, sozinha, reduzir a inflação. Para ele, o aumento na taxa de juros será insuficiente para reduzir a intenção de compra dos consumidores, porque vai aumentar somente alguns reais nos financiamentos. Os consumidores olham somente se vão estar empregados e se as prestações dos novos financiamentos cabem dentro de seus bolsos, explica.

Falta informação para o consumidor

Apesar de a alta de juros ser uma realidade e uma tendência, muitos consumidores ainda não perceberam que são eles que estão fazendo seus rendimentos minguarem a cada mês. Os aumentos na Selic se refletem nos juros cobrados pelos bancos nos empréstimos, cheque especial e no rotativo do cartão de crédito.

Mas os consumidores comprovam o argumento de Oliveira, da Anefac, de que o aumento na Selic não se reflete em retração no consumo. Márcio Araújo, por exemplo, está pesquisando antes de comprar um celular. Ele foi a várias lojas em busca de uma promoção ou um plano a prazo sem juros. Queria comprar à vista, mas não consigo desconto. Aí é melhor pagar em algumas vezes. Ele sabe que, se o preço à vista e a prazo é o mesmo, é como se estivesse pagando juros na compra à vista.

É o caso de Cristiane Borges. Ela fez um cartão de crédito em uma financeira há três anos e, apesar de usá-lo freqüentemente, não pensa em juros. É tanta coisa que a gente paga que já estou acostumada. Os juros são só um elemento a mais.

Para o consumidor, o prognóstico não é dos mais animadores. A expectativa dos analistas é de que, até o fim do ano, a taxa Selic suba dois pontos, chegando a 14,25% ao ano. O que significa que, pelo menos até janeiro de 2009, fazer compras a prazo, por exemplo, será uma tarefa que vai exigir cada vez mais gastos em taxas de juros. Oliveira diz que este não é o melhor momento para entrar no cheque especial ou pegar dinheiro emprestado. Se for imprescindível, recomendo uma pesquisa entre os bancos ou financeiras para buscar taxas mais atrativas.

Com reportagem de Ana Clara Werneck

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