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Copom acena com novo corte nos juros

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que decidiu pela redução da taxa de juros em um ponto porcentual reconhece, pela primeira vez desde o início da crise financeira, que a demanda deixou de ser um problema para a inflação e começou exercer um efeito contracionista sobre a atividade econômica. O cenário que pautou a decisão do Banco Central indica que a estimativa de inflação de 2009 já estaria abaixo do centro da meta de 4,5%, o que justificaria a continuidade do processo de queda da Selic.

Agência Estado |

O novo tom da ata do Copom e seu diagnóstico sobre a crise no Brasil e no exterior alimentaram as apostas no mercado de que o Copom pode repetir a mesma dose de corte da Selic na próxima reunião de 10 de março. "No mínimo, a ata colocou o corte de um ponto no páreo, mas acredito ser difícil o BC repetir essa magnitude de queda porque o cenário ainda é de muitas incertezas", comentou o estrategista-chefe do Credit Agricole do Brasil, Vladimir Caramaschi.

"Avaliamos que o atual quadro, composto por fraqueza na atividade econômica e perspectivas inflacionárias condizentes com a meta, continuará vigorando nos próximos meses, o que mantém aberto o espaço para cortes adicionais na taxa Selic", disse o economista-chefe do Banco fator, José Francisco de Lima Gonçalves.

Na equipe econômica, a aposta também é de novas reduções na taxa de juros, embora o texto da ata tenha sido considerado um pouco ambíguo sobre a extensão do corte, na medida em que diz que "parte relevante" do movimento de queda já foi realizado. A expectativa de boa parte dos economistas hoje é de que a Selic caia até pelo menos 11% nas próximas três reuniões, o que manteria a taxa real de juros em torno de 6,5% - ainda bastante alto para os padrões internacionais atuais.

Três fatores elencados na ata do Copom permitem entender a guinada da diretoria do BC, que até dezembro resistia em reduzir a taxa de juros por temer a aceleração inflacionária. Esse temor está relativizado pela percepção de que a retração da atividade econômica contribui para a menor pressão da demanda sobre os preços.

"Há sinais de que, depois de um longo período de expansão, a demanda doméstica teria passado a exercer influência contracionista sobre a atividade econômica, a despeito da persistência de fatores de estímulo, como o crescimento da renda", diz o documento do BC.

Além disso, a ata salienta que a crise internacional, com consequente queda de preços de commodities e aumento das restrições de crédito, também limita o espaço de alta da inflação, embora ainda apresente efeitos potencialmente contraditórios. O terceiro e determinante fator que levou o Copom a mudar de postura, entretanto, foi a constatação de que a ameaça de repasse da depreciação cambial para os preços não se concretizou nem deve se concretizar.

Até dezembro, o presidente do BC, Henrique Meirelles, argumentava que o Brasil apresentava situação econômica diferente da americana ou europeia e que, por isso, não poderia adotar as mesmas políticas.

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